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domingo, 2 de julho de 2017

Rumo à Economia Circular O que é? (Opinião Jorge Pulido Valente)



O conceito de economia circular, em oposição à linear(matérias primas>produtos>resíduos), assenta, como a própria designação indica, na ideia de reciclagem, reutilização, recuperação e regeneração dos produtos, prevenindo os resíduos, e na gestão sustentável dos recursos.

Embora, surgido na década de 70, com o objetivo de procurar a conciliação entre as crescentes preocupações ambientais e o desenvolvimento económico, só a partir da primeira década do século XXI, este conceito é introduzido na agenda política e mediática europeia e internacional, fundamentalmente, graças ao trabalho pioneiro da Fundação Ellen MacArthur (www.ellenmacarthurfoundation.org) - famosa velejadora solitária, cujas experiências de circunavegação lhe evidenciaram as virtudes da circularidade da utilização dos produtos - nomeadamente, o relatório que apresentou em 2012, sob o título "Rumo à economia circular: racionalidade económica e de negócios para uma transição acelerada". 

Só em dezembro desse ano, a Comissão Europeia, lança o tema a nível da política comunitária com a publicação do "Manifesto para uma Europa eficiente na utilização de recursos", a que se segue, apenas em 2014, a apresentação, falhada, da primeira proposta legislativa, a qual é retirada logo no início de 2015, para dar lugar, em dezembro do mesmo ano, a um pacote menos ambicioso mas melhor fundamentado e estruturado.

Embora, inicialmente, a economia circular se centrasse, sobretudo, nas questões relacionadas com a gestão dos resíduos, evoluiu, muito rapidamente, para outras áreas e preocupações, nomeadamente, desde logo, as mais básicas e estruturantes, como os padrões de produção e consumo, para além de outras, mais inovadoras, como o ecodesign.

Qual a sua importância?
O conceito de economia circular e a sua importância num modelo de desenvolvimento sustentável não surge por acaso, mas sim porque que se concluiu que ao ritmo a que são consumidos os recursos naturais para manter os atuais padrões de vida e de crescimento das nossas sociedades, chegaremos, num futuro já não muito longínquo, ao esgotamento irremediável de muitos deles.

Por outro lado, foi-se acentuando a necessidade de criação de novas áreas de emprego, inovadoras e alternativas às tradicionais, em crise profunda.

Fundamental, também, para este processo de reconhecimento da importância e do papel da economia circular, foi, sem dúvida, por um lado o brutal crescimento da produção de resíduos não ou dificilmente biodegradáveis e, por outro, a (r)evolução ocorrida, nos últimos anos, neste setor, com a passagem das lixeiras a aterros, complementados com  as estações de tratamento mecânico e biológico, as quais, em sinergia com a recolha seletiva, permitem aumentar, exponencialmente , as taxas de reciclagem, de reutilização e de eficiência e poupança energética.

Finalmente, há que referir  e reconhecer o contributo decisivo que a economia circular pode dar na prossecução das metas e objetivos definidos nos documentos da CE e assumidos no PERSU 2020.

O que está a ser feito para promover a economia circular?

Atualmente, a nível mundial e europeu verificaram-se avanços consideráveis  em termos da divulgação do conceito e da promoção da economia circular, quer através de organismos privados, de que o melhor exemplo é, como já se referiu anteriormente, o trabalho desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur, quer da aprovação e adopção de documentos de estratégia e de política pública, embora, incidindo ainda, sobretudo, na área da reciclagem e reutilização de resíduos.

Também algumas grandes companhias internacionais ( como por exemplo, a Philips) estão a adoptar estratégias e práticas empresariais inovadoras, assentes neste novo conceito. A constante produção e promoção de novos equipamentos, com vida limitada, tem vindo a dar lugar ao recondicionamento e reutilização sucessiva de materiais e equipamentos, criando a necessidade de desenvolvimento de mais e melhores serviços de assistência e reduzindo o volume de resíduos e de consumo de matérias primas.

Em Portugal, presentemente, estão a ser dados passos significativos, conjuntos, na divulgação e promoção da economia circular não só pelo Ministério do Ambiente como também por diversas entidades públicas e privadas(SPV, BCSD, Lipor, SmartwastePortugal, CCDRA) e, ainda, por algumas empresas públicas(EDIA) e privadas(EDP, GALP, Sonae), mas o caminho a percorrer é, ainda, longo, complexo e difícil.

O enquadramento estratégico geral está definido no Compromisso para o Crescimento Verde e, o particular, no que respeita ao setor dos resíduos, no PERSU 2020, mas são ainda necessárias políticas públicas concretas que incentivem, fomentem, apoiem e dinamizem a economia circular.

Não basta atuar a jusante, é preciso também intervir a montante no modelo e hábitos de produção e consumo, na concepção de novos produtos, no eco design, na durabilidade e fiabilidade, na prevenção dos desperdícios e dos resíduos.

Uma estratégia regional para a promoção da economia circular

Face às atribuições e competências conferidas às CCDRA, em matéria de desenvolvimento  regional e de implementação de políticas públicas setoriais, torna-se imprescindível que para além do Plano Estratégico e da Estratégia  de Especialização  Inteligente, documentos já oportunamente elaborados e aprovados, se avance, em alinhamento com os objetivos e prioridades definidas na estratégias setoriais nacionais, com a territorialização/ regionalização das mesmas e com as correspondentes políticas públicas que as operacionalizem.

Esta deve também ser a lógica e a metodologia a seguir no que concerne à economia circular, pelo que há que acelerar o processo da sua divulgação e promoção e, simultaneamente, discutir com os parceiros regionais e locais, quer os objetivos estratégicos e prioridades nesta área, quer, primordialmente, as políticas públicas que a estimulem, incentivem e dinamizem.

Jorge Pulido Valente


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Náutico de Mértola garante organização da Taça de Portugal de Maratonas


A Federação Portuguesa de Canoagem divulgou o Calendário Nacional da Modalidade, que atribui ao Clube Náutico de Mértola a responsabilidade de, pelo segundo ano consecutivo, organizar a primeira Taça de Portugal de Maratonas. A prova, que terá como organização local o Clube Náutico de Mértola e a Câmara Municipal, terá lugar na Tapada Grande da Mina de S.Domingos no dia 12 ou 13 de Março, esperando-se a participação de mais de 400 atletas e a repetição do sucesso organizativo do ano transacto.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Macias na Selecção Nacional


O Atleta do Clube Náutico de Mértola, Manuel Macias, começa amanhã um Estágio da Selecção Nacional de Juniores de Canoagem que se prolonga até 24 de Dezembro. Recordamos que no próximo ano tem lugar o Campeonato do Mundo de Juniores e este canoista de Mértola tem sido presença constante na Equipa Nacional.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

PSD desce pela primeira vez desde que Passos Coelho chegou a líder


Segundo o barómetro da Marktest para o Diário Económico e TSF, o PSD recebia, em Junho, 47,7 das intenções de voto enquanto o PS se ficava nos 24,1 por cento das intenções de voto.

Porém, no barómetro de Julho, o PSD desce 10,4 pontos percentuais, ficando-se nos 37,3 por cento enquanto que o Partido Socialista sobe 9,2 por cento, alcançando os 33,3 por cento das intenções de votos dos portugueses.

É esta a primeira vez que o PSD desce nas intenções de voto desde que Passsos Coelho chegou a líder, não sendo decerto alheio a este tombo as propostas de Passos Coelho para a revisão constitucional!

A notícia aqui.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não tiveram tempo?


Com este Ministério Público não vamos muito longe, se é que iremos a sítio algum...

Os procuradores Pais de Faria e Vítor Magalhães (os tais pressionáveis), que subscreveram a decisão de encerramento do inquérito Freeport (já lá vai o tempo em que os despachos do Ministério Público eram proferidas por um único magistrado) tiveram por bem consignar na decisão de encerramento que "após a análise do inquérito e compulsados todos os elementos que dele constam, verifica-se que nesta fase, não obstante a ausência de qualquer proposta neste sentido por parte da Polícia Judiciária, importaria proceder à inquirição do então ministro do Ambiente, actual primeiro ministro".

A seguir, os procuradores elencam um conjunto de 27 (vinte sete) questões que "importaria que o então ministro do Ambiente esclarecesse" (prova dos nove? 2+7=9, noves fora... Zero ).

Explicam depois que o vice-procurador-geral da República proferiu um despacho no dia 4 de Junho, fixando o dia 25 de Julho para o termo do prazo de encerramento do inquérito e "tendo em atenção este facto e o disposto na lei do Conselho de Estado quanto à obrigatoriedade de obter autorização daquele órgão para ouvir o primeiro ministro, concluem que "mostra-se, por ora inviabilizada" a inquirição de José Sócrates!

Ora, o que os dois procuradores fizeram, depois de muito matutar, foi colocar no processo uma bicha de rabiar que irá alimentar, sabe-se lá por quanto tempo, a chafurdice dos media para abater Sócrates e o seu Governo.

Das duas uma: ou tinham necessidade de ouvir José Sócrates- tiveram longos anos para o fazer e não o fizeram- ou então deveriam ter-se abstido de colocar questões que nunca até aí entenderam ser necessário formular.

Na primeira hipótese, não cumpriram eles o seu dever, relevando de desculpas esfarrapadas as delongas da autorização do Conselho de Estado para não o ouvir...

Na segunda hipótese, a situação ainda se torna mais grave: ao mesmo tempo que arquivavam o processo, fizeram figurar no despacho de conclusão do Inquérito as perguntas que antes não quiseram dirigir ao Primeiro Ministro. Por muito estranho que pareça, uma única dedução é possível: alimentar a comunicação social para que o caso seja chafurdado, depois do arquivamento.

É ainda uma afronta gratuita ao Procurador Geral da República e ao seu número dois, Dr Mário Gomes Dias, um homem integérrimo acima de qualquer suspeita!

Veja a notícia aqui.

Não tiveram tempo? Tiveram todo o tempo deste mundo e do outro!!!!!!

Mas é assim que funciona o nosso Ministério Público. Como uma vez disse o Procurador Geral da República, Pinto Monteiro, há o conde, o visconde, a marquesa e o duque.

Nada, pois, de assumir responsabilidades: a culpa foi...do seu superior hierárquico, o Vice-Procurador Geral da República!

E fizeram-no como se fosse um órgão colegial: dois procuradores para assinar um despacho final. Como se fosse um tribunal colectivo ou um tribunal de recurso. Com esta insignificante diferença: nas decisões judiciais colegiais, apenas um juiz redige a decisão. Os outros concordam ou discordam (votos de adesão e de vencido). Os nossos procuradores fizeram uma parceria ou uma vaquinha ou uma mielas, se se quiser. Mas não sendo razoável conceber que os dois alternassem na redacção dos parágrafos da decisão, jamais se ficará a saber qual deles a redigiu .

Aconteceu assim também no processo Casa Pia. Diluem-se as responsabilidades individuais (cada um pode dizer sempre que foi o outro) e atiram para cima do Vice-Procurador Geral a culpa pela alegada omissão!

E aí temos o inefável Público a embandeirar em arco na primeira página de hoje! Quase que apostava que o apóstolo Crespo fará o mesmo logo à noite, no jornal das nove, e o pequeno arquitecto já está a salivar pela edição de amanhã do radioso Sol. Não matam mas moem. Mas que praga!

Desculpem, mas tenho que ir vomitar. Volto já.

"O silêncio dos cobardes"

Com a devida vénia, deixo aqui aos leitores interessados o editorial, de 28 de Julho, do blog O Jumento, a propósito da conclusão do processo Freeport, sob o título «O silêncio dos cobardes».

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Manuel Alegre ao Público: devolver ao Presidente a demissão do Governo parece feito à medida


Em entrevista à edição de hoje do jornal o Público, Alegre arrasa a proposta de revisão constitucional do PSD.


«O País precisa é que se resolvam os problemas concretos dos portugueses, do emprego e do crescimento».

A proposta do PSD «subverte o sistema político institucional, é incongruente, cria uma trapalhada muito grande e é um ataque frontal ao Estado social, à Escola pública, ao Serviço Nacional de Saúde, à segurança dos trabalhadores».

«Esta é uma revisão não da Constituição, mas da democracia».

À pergunta sobre se acha justo que todos paguem por igual os serviços do SNS, o candidato à Presidência da República respondeu assim:

«É porque as pessoas pagam nos seu impostos. É aí que as pessoas pagam de forma diferente: quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos. Esse é que é um princípio republicano e democrático».

Sobre a proposta demissão do Governo pelo Presidente da República, Alegre disse:

«O Presidente da República pode sempre demitir o Governo para garantir o regular funcionamento das instituições. Mas retirar-lhe esta justificação é voltar 35 anos atrás, a um modelo ultrapassado. E parece feito à medida para que o próximo Presidente possa demitir o actual Governo. É um foco de instabilidade política muito grande e pode inviabilizar a existência de governos minoritários. O que acho é que há uma grande incongruência, uma grande confusão. Por um lado, mete outra vez o Presidente onde ele não deve estar, nas questões do governo, mas, ao mesmo tempo, se houver uma moção de censura em que o Parlamento apresente um primeiro-ministro alternativo, o Presidente fica prisioneiro».

Leia aqui a entrevista e veja o vídeo aqui.





sexta-feira, 16 de julho de 2010

O bom samaritano

Preocupado com a vitória de Cavaco Silva na primeira volta, Defensor de Moura, que se estreou na política como deputado do Partido Renovador Democrático (PRD) em 1986, informou hoje que anunciará formalmente a sua candidatura à Presidência da República no próximo dia 28.

O pré-candidato informou que não se candidata contra Manuel Alegre nem contra o dr Fernando Nobre: o seu desígnio é apenas evitar que a direita (Cavaco Silva) ganhe logo na primeira volta.

E explica: Manuel Alegre foi capturado pela extrema esquerda e com isso deixou em aberto o centro esquerda. Ora, com o receio de que este espectro do eleitorado possa ser "apanhado" pela direita, Defensor de Moura decidiu "cobri-lo", candidatando-se.

Mais explicitou Moura que a sua candidatura é "complementar" da de Manuel Alegre e não pretende dividir o Partido Socialista porque este já está comprometido com Alegre!

Certo de que assim levará a direita a uma segunda volta, Defensor de Moura votará , nesta, em Alegre ou Nobre (aqui e aqui).

Andou a direita cavaquista muito preocupada com o surgimento de outra candidatura de direita, susceptível de impedir a reeleição do actual Presidente à 1ª volta!

Não sonhava ela é que seria Defensor de Moura a "estragar-lhe a festa," obrigando Cavaco a ir à segunda.

Sem dúvida, um bom samaritano!



sábado, 3 de julho de 2010

"Cavaco vai a todas"


Com a devida vénia, transcrevemos o post de ontem, do Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa:


«O correspondente do CC em Vale de Cambra diz-nos que o Presidente da República se deslocou hoje a este concelho para inaugurar um parque de estacionamento subterrâneo. Imaginem o que seria se em Belém se descobrisse que há em Lisboa para aí uns 30 parques subterrâneos por inaugurar.»


E ainda há quem diga que o Presidente anda em campanha eleitoral! Há gente capaz de tudo...

sábado, 26 de junho de 2010

Uma maioria, um Governo e um Presidente?

De há muito em campanha eleitoral de modo não assumido, Cavaco Silva está no terreno, mas a mensagem que nos deixa é a do desalento e a do desespero.

Voltou agora a referir-se à situação insustentável do nosso país e às dificuldades de obtenção de financiamento.

O Presidente da República falava em Oeiras, num encontro com jovens empresários a quem terá dado uma

"O crédito vai faltar", sublinhou, valendo-se das afirmações feitas nesse sentido por banqueiros: "os homens da banca dizem que Portugal enfrenta dificuldades de crédito no exterior".

Foi o Eng José Sócrates o primeiro a reagir, de forma subtil, a estas declarações, durante o debate quinzenal na Assembleia da República:

"Muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelas energias do país", recusando-se a comentar as palavras do Presidente da República.

Também o doutor Mário Soares, à margem da homenagem que lhe está a ser prestada em Arcos de Valdevez, não quis comentar as posições do senhor Presidente da República, realçando, no entanto, que, apesar da "situação ser difícil", não sabe "se a melhor coisa é um presidente fazer apelos" do género dos que fez na sexta feira Cavaco Silva (clique aqui para ver a notícia).

A intervenção do Sr Presidente da República é um remake do seu discurso do dia 10 de Junho.

Quando se esperava uma palavra de esperança e de confiança por parte do mais alto magistrado da Nação, brinda ele os portugueses com o pessimismo, a desconfiança, o desespero e tudo isto como se o actual Presidente fosse de todo alheio à crise que nos assola! Como se a crise tivesse sido importada por nós! Como se a crise fosse apenas uma crise da economia portuguesa; como se tudo não passasse de uma questão de endividamento! E, qual mestre escola, vem-nos lembrar agora de que ele bem "avisara"!

Mas, pode perguntar-se, o que fez o Presidente da República para evitar a crise? De que nos valeram os seus propalados dotes de economista? De que serviu a sua tão apregoada "cooperação estratégica"? Uma mão vazia e outra cheia de nada! É isto o que o PR tem para nos oferecer.

Alguém se lembra, desde o dealbar da crise em 2008, de quantas vezes fez reunir o Conselho de Estado? Quantas vezes reuniu com os partidos políticos, com os empresários, com os sindicatos?

Que fez o Presidente da República para mobilizar os portugueses?

Quando se dirigiu ao país fê-lo sempre com o passo trocado: na "questão" do estatuto autonómico dos Açores (que bem poderia ter evitado se tivesse logo pedido, de uma assentada, a intervenção do Tribunal Constitucional); na estória das escutas em Belém, que ainda está por explicar; na promulgação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao tentar convencer os portugueses das razões por que não usara do seu veto político.

Em contraponto, um gestor de "silêncios" quando era imperioso que falasse.

Acontece que os últimos pronunciamentos do Sr Presidente da República coincidem, a bem dizer, com a divulgação de uma sondagem da Marktest que atribui ao PSD a maioria absoluta de intenções de votos, o dobro das intenções de votos no PS (aqui) .

É bem certo que as sondagens valem o que valem. O Primeiro Ministro e o Governo estão desde há muito tempo debaixo do fogo cerrado dos partidos da oposição, à esquerda e à direita, quase sempre pelos pretextos menores: os inquéritos de toda a ordem, parlamentares e extra-parlamentares, que outra coisa não visam senão desgastar o Governo e o Primeiro Ministro enquanto a direita se "prepara" para governar.

E sabe-se o que a direita prepara: o desmantelamento do Estado Social, a revisão da Constituição, privatizações, flexibilização das leis laborais, em suma, a receita neoliberal dos tais economistas e banqueiros de que Cavaco tanto gosta.

Neste contexto, talvez valha a pena ouvir as palavras que Manuel Alegre proferiu ontem em Setúbal, durante um jantar com apoiantes seus:

"O Presidente da República não pode nunca dizer que Portugal vive numa situação insustentável". "O Presidente diz que que preveniu, avisou, mas ao Presidente não cabem apenas palavras de depressão e desmobilização, mas sim de confiança".

Para Alegre, há duas alternativas: mais austeridade, desemprego, desregulação, liberalização dos despedimentos e precariedade; ou uma reforma profunda, com mais solidariedade e responsabilidade social do Estado". E aquilo a que se assiste hoje "é uma ofensiva da direita contra o estado social. É possível consolidar as finanças públicas sem esquecer o principal défice que é o social e o da cultura".

Alegre relembrou também o velho sonho da Direita: uma maioria, um Governo e um Presidente
(o áudio completo da intervenção, aqui).

Ora, independentemente das sensibilidades de cada um de nós, haverá que reconhecer que o que teríamos pela frente, com a reeleição de Cavaco Silva, mais não seria que a concretização daquele velho sonho.

Mas só será assim se o quisermos e desejarmos. O destino está nas nossas mãos. Saibamos distinguir o essencial do acessório: esquecer questões pessoais e paroquianas e centrar a nossa atenção no nosso futuro imediato. Em nome dos valores do socialismo democrático e do pluralismo.














quinta-feira, 17 de junho de 2010

Novo candidato presidencial?


"Estou a ponderar uma candidatura à Presidência da República. Tenho recebido muitos apoios dentro do grupo parlamentar do PS e fora dele. Nos próximos dias anunciarei a minha decisão", disse à agência Lusa o ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo.

Defensor de Moura recusou-se a esclarecer à agência Lusa quem no grupo parlamentar do PS o apoia.

O protocandidato recusou-se também a informar se já tinha contactado o líder socialista, José Sócrates, sobre a sua possível disponibilidade para protagonizar uma candidatura alternativa à de Alegre.

Não há dúvida de que estas presidenciais prometem ser muito concorridas. E como a direita ainda não desistiu de lançar uma candidatura alternativa a Cavaco, as eleições do próximo ano vão ser mesmo muito, muito animadas...




domingo, 30 de maio de 2010

Os "pecados" de Alegre



Eis os principais "pecados" de Alegre:

1º Ser poeta e ter ganho, entre outros, o Prémio Pessoa;

2º Estar entre os dois poetas portugueses que mais vendem;

3º O que lhe concede autonomia financeira;

4º Quando regressou do exílio, em 1974, não conheceu outro partido político a não ser o PS;

5º Lutou sempre ao lado de Soares com vista a instauração de uma democracia pluralista e ajudou a salvar o PS da “OPA” de Manuel Serra;

6º Está igual ao que sempre foi: socialista democrático e filiado no PS. Pode assim ver-se ao espelho e sentir-se bem;

7º Pensa por si próprio e tem convicções seguras: republicano, socialista, democrata e patriota;

8º Defende a Constituição da República, o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, as liberdades públicas e os direitos sociais e económicos conferidos aos portugueses pela Constituição;

9º Não só tem convicções, como é o único político português no activo que não tem complexos com a palavra PÁTRIA, que quase sempre prefere ao estafado “este país”;

10º Deixou o Parlamento e não foi incluído nas listas de deputados por vontade própria;

11º Tem um discurso claro, sem tergiversações, e um desígnio para Portugal se for eleito Presidente da República;

12º É um homem da Esquerda democrática, assumido.

13º É capaz de dialogar e estabelecer pontes, sempre que necessário, com outras forças políticas, da Esquerda ou da Direita, com os sindicatos, com os patrões;

14º Não exerce nem exerceu qualquer lugar de administração em empresas públicas ou privadas;

15º Dispensa treinadores de dicção ou de maneiras.


Para além destes “pecados”, já de si graves nos tempos que correm e que normalmente os seus detractores não se atrevem a expressar, apontam ao candidato outros “pecados menores”, uns assumidamente, outros pela forma covarde e anónima dos online: desertor das Forças Armadas, responsável pela perda da maioria absoluta do Partido Socialista e, espanto dos espantos, falta de perfil para o cargo de PR!

Ah, candidatou-se também cedo demais e sem pedir autorização ao Partido Socialista!

Há muito falta de memória (parafraseio de novo Jorge Coelho): foi Jorge Sampaio que concertou com o PS, a ano e meio de vista das presidenciais de 1996, a sua candidatura à Presidência?





segunda-feira, 24 de maio de 2010

A actual e a antiga Primeira Dama: de que falariam elas?

Quem sabe se não foi assim?


(...) De resto, fomos sempre boas amigas...

- Claro que fomos e os nossos maridos também já enterraram o passado!

- Os tempos são outros e o nosso querido Portugal está acima de tudo.


- Deixe lá, deixe lá, o Pastor alemão há-de lembrar-se de nós!

-Também tenho essa esperança!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quero o Miguel, quero a Mariza, quero o Rui





Foi há menos de um ano!

"Decidi dar a cara, primeiro, para ser coerente comigo próprio. Porque as ideias que defende o Bloco de Esquerda são as ideias que eu tenho defendido nos meus livros, nos meus editoriais, nas minhas conferências, nos meus protestos, nos meus gritos."

"É por isso que aceitei dar a cara para o Parlamento Europeu em nome do Bloco de Esquerda".

"Aceitei dar a cara porque o Miguel (Portas), a Mariza (Matias), o Rui (Tavares) e os outros são pessoas de bem, são pessoas com valores, são pessoas esclarecidas, são pessoas com convicções; se necessário, saberão ser politicamente incorrectas. São pessoas combativas, são pessoas irreverentes, são pessoas com ideias. E é isso que eu quero no Parlamento Europeu."

"(...) Quero que os direitos humanos sejam respeitados para que nunca mais na minha União Europeia se volte a falar de aviões da CIA, que andam por aqui impunemente"
(Fernando Nobre discursava em Portugal).

"(...) É por isso que eu , na Europa, quero os três: quero o Miguel, quero a Mariza, quero o Rui".


Há menos de um ano? Sim, em Junho de 2009, quando o ora candidato à Presidência da República foi o mandatário nacional do Bloco de Esquerda para as eleições europeias (clique aqui para ver o vídeo).

Confuso? Nem por isso: "há muita falta de memória". Roubo este sábio pensamento a Jorge Coelho, quando debatia com Lobo Xavier e Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, da SIC Notícias.

E eu a pensar que fora Alegre que se encostara ao Bloco de Esquerda! Mas como diz o nosso povo, uns comem os figos, a outros rebenta-lhes a boca...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tão diferentes, tão iguais



ANÍBAL CAVACO SILVA E FERNANDO NOBRE


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, questionado na passada sexta-feira sobre se é oportuno adiar obras públicas, escusou-se a comentar decisões específicas do Governo, mas enunciou um princípio geral:


Deixo ao leitor a trabalheira de descobrir as semelhanças e as diferenças entre estes dois protagonistas da vida política nacional!







sexta-feira, 30 de abril de 2010

Três em uma

Na 2ª parte do fórum da TSF do passado dia 28, o candidato à Presidência da República, Fernando Nobre, a propósito do ataque especulativo de que Portugal está a ser alvo por parte das agências de rating, apelou à unidade de todos e focalizou a sua intervenção na necessidade de termos um Orçamento de Estado em aplicação a partir de 1 de Janeiro.

Depois de referir que o diagnóstico económico e financeiro está feito, há que assumir responsabilidades a vários níveis. E exemplificou:

" No ano passado tivémos três eleições sucessivas! Podíamos ter feito tudo numa só".

Podíamos ter feito tudo numa só? Poder, podíamos, mas não era a mesma coisa!

sábado, 24 de abril de 2010

" São cravos, Senhores! "

Sempre oportuno, o Câmara Corporativa (corparcoes.blogspot.com), pela pena arguta de João Magalhães, não deixou passar ao lado o recente evento do Palácio Presidencial - os cravos de Belém:

«
De papel, feitos em Campo Maior. Mesmo assim, cravos. Este ano há cravos em Belém. Em Janeiro há eleições presidenciais em todo o país.»


Para bom entendedor...