Mais de cem pessoas estiveram ontem presentes para assistir á apresentação dos achados arqueológicos que têm vindo a ser trazidos á luz do dia numa escavação de emergencia. Discutiu-se qual o possivel futuro das estruturas e achados que são claramente de grande importancia e merecem uma atenção particular.
Lugar de informação, debate e opinião livre e responsavel em especial sobre Mértola e seu Concelho.
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Resultados Casting MÉRTOLA ESTÁ NA MODA edição júnior
A Câmara Municipal de Mértola e a Associação de Empresários do Vale do Guadiana vêm, desde já, agradecer a participação, disponibilidade e boa disposição manifestada por todos(as) os 50 inscritos(as) na fase de Casting da iniciativa Mértola Está Na Moda.
Perante a grande adesão e qualidade de todos(as) os participantes e, porque para todos(as) há um papel a desempenhar em prol da promoção dos recursos, produtos e potencialidades do concelho, foi decidido pelo colectivo do júri, criar dois grupos de seleccionados(as), distinguindo-se nuns a expressividade e capacidade de comunicação perante a câmara fotográfica e noutros o à vontade, singularidade e empatia da sua presença ao vivo.
Perante a grande adesão e qualidade de todos(as) os participantes e, porque para todos(as) há um papel a desempenhar em prol da promoção dos recursos, produtos e potencialidades do concelho, foi decidido pelo colectivo do júri, criar dois grupos de seleccionados(as), distinguindo-se nuns a expressividade e capacidade de comunicação perante a câmara fotográfica e noutros o à vontade, singularidade e empatia da sua presença ao vivo.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Navegabilidade do Guadiana
Decorreu na passada quinta-feira, dia 11 de maio, uma importante reunião
de trabalho com o objetivo de fazer o ponto de situação e programação futura
relativamente ao processo de navegabilidade do Guadiana. Para o efeito
estiveram presentes diferentes representantes de entidades com participação no
processo.
Relativamente ao troço Alcoutim – Pomarão, foi aprovada uma candidatura Interreg, em abril passado, que permitirá financiar em 75% o desenvolvimento do projeto e a realização da obra, com um custo previsto de 1.000.000 €. A Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) irá preparar o projeto e lançar a obra no início de 2018.
No troço Pomarão – Mértola já foi autorizado pelo Ministério
do Mar o levantamento topo-hidrográfico que se inicia também já em 2018, etapa
essencial e que determinará as intervenções necessárias para a definição da
tipologia de intervenção e das soluções de navegabilidade a adotar.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Workshop de Cestaria em Cana na Casa Visconde de Bouzões
Inscrições: 10,00€ com direito a um cesto.
Almoço: 8,00€ - Opcional
Os participantes inscritos que marquem alojamento terão um desconto correspondente ao valor da Inscrição, caso a reserva seja feita diretamente para: casa.visconde.b@gmail.com.
(Esta oferta não se aplica ao Quarto Low Cost.)
Informações e Inscrições:
casa.visconde.b@gmail.com
965351979 - Carlos Viegas
Organização:
Casa Visconde de Bouzões e Casa do Funil
Almoço: 8,00€ - Opcional
Os participantes inscritos que marquem alojamento terão um desconto correspondente ao valor da Inscrição, caso a reserva seja feita diretamente para: casa.visconde.b@gmail.com.
(Esta oferta não se aplica ao Quarto Low Cost.)
Informações e Inscrições:
casa.visconde.b@gmail.com
965351979 - Carlos Viegas
Organização:
Casa Visconde de Bouzões e Casa do Funil
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Mértola na final das candidaturas a Marca do Património Europeu

Mértola foi uma das duas candidaturas portuguesas aprovadas, pela autoridade nacional responsável pela pré-seleção, para concorrer à Marca do Património Europeu. A candidatura resultou de um convite da Direção Regional de Cultura do Alentejo à Câmara Municipal de Mértola.
A vila de Mértola e o Promontório de Sagres foram as candidaturas selecionadas para a “short list” a enviar para a Comunidade Europeia. Estiveram a concurso sete propostas a nível nacional, tendo Portugal que escolher apenas duas, para serem posteriormente avaliadas em Bruxelas.
Mais uma vez, a Vila Museu distingue-se das restantes candidaturas pelo trabalho realizado em termos do património cultural, histórico e arqueológico, e vê reconhecido o esforço da autarquia, em cooperação estreita com outras entidades, nomeadamente o Campo Arqueológico de Mértola.
Segue-se, agora, a fase de apreciação pela CE, para decisão final sobre qual das duas candidaturas portuguesas agora apuradas, Mértola e Sagres, terá direito a ostentar a Marca do Património Europeu, galardão de prestígio, importante para a valorização e promoção turística em termos internacionais.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Mértola revela segundo batistério paleocristão
10-01-2014 10:18:15
A Mértola paleocristã, de que não há registos escritos, está a desvendar-se paulatinamente através dos vestígios arqueológicos. No que é hoje a alcáçova do castelo, existiria um “complexo religioso” que, em escavações recentes, no verão passado, revelou um segundo batistério, bem preservado e com dimensões que se adivinham monumentais. Um templo encontrado a menos de 50 metros de um outro exemplar contemporâneo, que sugere uma realidade e confirma outra. A coexistência, à época, de dois ou mais cultos cristãos. E a importância estratégia desta antiga cidade portuária que, já no período islâmico, haveria de ser capital de um reino.
Texto Carla Ferreira Fotos José Serrano
O puzzle do que se supõe ter sido um “complexo religioso”, no local que identificamos hoje como a alcáçova do castelo de Mértola, revelou recentemente uma nova peça, totalmente inesperada. Quando a equipa do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), uma vez musealizado um primeiro espaço dedicado ao rito de iniciação cristão, pensava ter a sua conta de batistérios, eis que surge um segundo, a menos de 50 metros. E, tudo indica, coexistente no tempo, ou seja, algures entre os finais do século V e meados do século VI. O “período paleocristão por excelência”, situa Cláudio Torres, diretor do centro de investigação, lembrando a vasta coleção de lápides epigrafadas, hoje visitáveis nas ruínas de uma basílica funerária deste período e que é um dos núcleos do chamado Museu de Mértola.
A circunstância de dois batistérios “gigantescos, luxuosíssimos, um junto ao outro”, assinala o arqueólogo, pode prestar-se a várias especulações, do ponto de vista do cenário religioso que se desenhava nesta urbe após o fim do Império Romano. Mas antes de mais, é uma confirmação – mais uma – da importância estratégica da antiga cidade portuária. “Nós já desconfiávamos que havia aqui uma cidade importante; importante já em época pré-romana, depois em época romana, e, principalmente, na época paleocristã, que é aquilo que agora estamos a constatar. Cresceu, aumentou em época paleocristã e, depois, em época islâmica, foi a capital de um reino”.
A nova descoberta do CAM, trazida à luz no último verão, parece indicar também a coexistência, à época, de várias seitas cristãs neste importante porto do Guadiana. Sabe-se que, nas grandes cidades do Mediterrâneo ocidental, nos territórios de países como os atuais Tunísia, Argélia e Marrocos, as comunidades cristãs dividiam-se em grupos diferentes, nomeadamente entre católicos, que acreditavam na Trindade, e monofisitas, que rejeitavam a ideia de um Deus Pai, Filho e Espírito Santo, entre outras seitas. A tese daria lógica à existência de dois batistérios contíguos e contemporâneos mas, adverte Cláudio Torres, “são só hipóteses, não temos nenhuma prova, arqueológica ou histórica, de que este batistério é monofisita e aquele é católico, por exemplo”.
“National Geographic” publicou reconstituição em 3D A zona foi escavada nos anos 80 e deixou antever apenas “uma pequenina fresta da monumentalidade” que agora está à vista. E promete ainda mais, avisa Virgílio Lopes, que voltou à ruína arqueológica no âmbito da sua tese de doutoramento sobre Mértola na Antiguidade Tardia. “Deparámo-nos com esta situação, da qual não estávamos nada à espera, mas é bem-vinda, sobretudo devido ao estado de conservação. Não é mais um buraco, é mais uma prova arqueológica da importância de Mértola neste período”.
De facto, grande parte do batistério ainda conserva os mármores originais e a sequência estratigráfica demonstra que o “edifício caiu por si”, tendo havido uma parte posteriormente reutilizada no período islâmico. “Ao contrário do outro batistério, em que praticamente todo o mármore desapareceu”, compara Virgílio Lopes. Pelas colunas caídas, a descoberto, e pelas que ainda se adivinham no solo, pode deduzir-se também a existência de uma abóbada que seria pintada, mais um elemento a atestar a monumentalidade do edifício. Dessa cobertura, chegaram até nós pequenos fragmentos do revestimento a fresco, o maior deles do “tamanho de uma mão”. Estamos, pois, perante “um puzzle gigante, de que sabemos muito pouco. E isto é também uma novidade, porque os mosaicos já conhecíamos e os revestimentos a mármore também. Este revestimento com frescos é uma novidade interessante”, sublinha o arqueólogo, lembrando o trabalho de parceria que, durante meses, foi feito com a “National Geographic” portuguesa e que resultou na reconstituição do batistério publicada na edição de dezembro. “Foram alguns meses de trabalho, trocando informações, vendo outros batistérios, comparando, para se atingir aquele modelo, que é criticável, mas é um dos possíveis. É uma espécie de retrato robô e a esse retrato faltam muitas peças”.
Teria existido um bispo de Mértola? Para dar vida à cena, a reconstituição, em 3D, idealiza um adulto prestes a ser batizado, com apoio de um sacerdote principal e de um auxiliar. Mas nada disto está documentado e a própria questão de quem seria o oficiante dos rituais suscita muitas dúvidas, que darão pano para mangas para as gerações vindouras de estudiosos. “Sabemos que, no século VI, quem batiza é um bispo. Não é como hoje, que é um pároco que faz o batismo na igreja, a crianças. Mas, do ponto de vista histórico, textual, não há registos de nenhum bispo católico em Mértola. Portanto, havendo aqui estes dois batistérios, tinha de haver pelo menos um bispo, que poderia ser monofisita, donatista, não sabemos. Mas o que sabemos é que, havendo um bispo, não estamos a falar de uma aldeia, de um sítio qualquer”, considera Cláudio Torres.
É a arqueologia a acrescentar “outras realidades” às fontes escritas que, no caso da Mértola paleocristã, não existem, nota Virgílio Lopes. “Se fôssemos olhar às fontes, Mértola não teria existido neste período. Não há nenhuma referência, nomeadamente à existência de um bispo. Nenhum dos bispos de Mértola, a existirem, foi aos concílios. E a arqueologia está a dizer-nos precisamente o contrário. Houve aqui um investimento grande, o que significa que este batistério foi feito para funcionar, com bispo ou bispos, de onde quer que eles viessem”.
Paulatinamente, o puzzle vai-se desvendando, mas os dados sobre os vivos são decididamente menos conclusivos do que os vestígios que retrataram a morte. “Isto é uma peça, mas esta peça faz parte de um conjunto que gostaríamos de entender um pouco melhor. Sabemos alguma coisa sobre os batistérios, sabemos alguma coisa sobre as basílicas e sobre as práticas funerárias, mas conhecemos muito mal os vivos desta época, o que é que faziam”, confessa Virgílio Lopes. Certamente estariam ligados ao rio e a um comércio próspero que não termina no período romano e se desenvolve nas centúrias seguintes. Assim, todas as especulações vão desembocar na mesma conclusão, conclui o arqueólogo: “Para existir esta elite religiosa, com estes muitos metros quadrados de construção, teve que haver muito dinheiro para fazer e manter isto. E isso é mais uma prova indiscutível de que Mértola era uma terra importante”.
Delegação de Roma visita Mértola em abril
O segundo batistério de Mértola espera, para abril próximo, uma “visita importante” de Roma, mais concretamente do Instituto Pontifício, que enviará uma delegação de 50 alunos e professores. “Isto está a ter uma dimensão internacional completamente anómala, com estes dois gigantescos batistérios”, informa Cláudio Torres, e aponta para o passo seguinte, o das “intervenções museográficas” que, necessariamente, têm que ser feitas para permitir a leitura pública desta “dualidade” religiosa que, no continente europeu, só tem paralelo na cidade italiana de Ravena.
O que era apenas um sítio interessante, sob o ponto de vista científico, mas “com pouca leitura, sob o ponto de vista museográfico”, alterou-se com as escavações do verão passado. “Agora, estamos perante uma outra realidade. A ideia é continuarmos e, dada a monumentalidade do sítio, vale bem o investimento. O que é que teremos ainda por baixo?”, questiona-se Virgílio Lopes.
Colocam-se, no entanto, os entraves práticos típicos de uma conjuntura económica difícil. Para já, têm que ser tomadas medidas de preservação do espaço, para evitar que se destrua, sendo que, a breve termo, se coloca a necessidade de criar estruturas de proteção. “Sabemos mais ou menos como é que seria o edifício mas não podemos reconstituí-lo. Temos, sim, que criar a partir daqui toda uma sugestão de volumetria que evidentemente não pode ser montada no terreno. Como, com que dinheiro? É preciso investimentos. Do Estado, da Câmara de Mértola. São questões que se vão colocando”, adianta o diretor do Campo Arqueológico de Mértola.
Virgílio Lopes está otimista. Basta-lhe a importância da descoberta e a convicção de que, mais cedo ou mais tarde, chegarão os investimentos: “Todos conhecemos a conjuntura em que estamos. Agora, uma coisa é certa: isto é demasiado importante para se destruir, para não se fazer alguma coisa. A parte divertida, de escavar, de encontrar coisas novas, está feita. Agora vem a parte de como manter isto, de como dá-lo a conhecer e como permitir que as pessoas usufruam dele. Porque é nessa dinâmica que temos que inscrever-nos aqui em Mértola. Não sabemos quem vai pagar isto, mas havemos de encontrar”. CF
O puzzle do que se supõe ter sido um “complexo religioso”, no local que identificamos hoje como a alcáçova do castelo de Mértola, revelou recentemente uma nova peça, totalmente inesperada. Quando a equipa do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), uma vez musealizado um primeiro espaço dedicado ao rito de iniciação cristão, pensava ter a sua conta de batistérios, eis que surge um segundo, a menos de 50 metros. E, tudo indica, coexistente no tempo, ou seja, algures entre os finais do século V e meados do século VI. O “período paleocristão por excelência”, situa Cláudio Torres, diretor do centro de investigação, lembrando a vasta coleção de lápides epigrafadas, hoje visitáveis nas ruínas de uma basílica funerária deste período e que é um dos núcleos do chamado Museu de Mértola.
A circunstância de dois batistérios “gigantescos, luxuosíssimos, um junto ao outro”, assinala o arqueólogo, pode prestar-se a várias especulações, do ponto de vista do cenário religioso que se desenhava nesta urbe após o fim do Império Romano. Mas antes de mais, é uma confirmação – mais uma – da importância estratégica da antiga cidade portuária. “Nós já desconfiávamos que havia aqui uma cidade importante; importante já em época pré-romana, depois em época romana, e, principalmente, na época paleocristã, que é aquilo que agora estamos a constatar. Cresceu, aumentou em época paleocristã e, depois, em época islâmica, foi a capital de um reino”.
A nova descoberta do CAM, trazida à luz no último verão, parece indicar também a coexistência, à época, de várias seitas cristãs neste importante porto do Guadiana. Sabe-se que, nas grandes cidades do Mediterrâneo ocidental, nos territórios de países como os atuais Tunísia, Argélia e Marrocos, as comunidades cristãs dividiam-se em grupos diferentes, nomeadamente entre católicos, que acreditavam na Trindade, e monofisitas, que rejeitavam a ideia de um Deus Pai, Filho e Espírito Santo, entre outras seitas. A tese daria lógica à existência de dois batistérios contíguos e contemporâneos mas, adverte Cláudio Torres, “são só hipóteses, não temos nenhuma prova, arqueológica ou histórica, de que este batistério é monofisita e aquele é católico, por exemplo”.
“National Geographic” publicou reconstituição em 3D A zona foi escavada nos anos 80 e deixou antever apenas “uma pequenina fresta da monumentalidade” que agora está à vista. E promete ainda mais, avisa Virgílio Lopes, que voltou à ruína arqueológica no âmbito da sua tese de doutoramento sobre Mértola na Antiguidade Tardia. “Deparámo-nos com esta situação, da qual não estávamos nada à espera, mas é bem-vinda, sobretudo devido ao estado de conservação. Não é mais um buraco, é mais uma prova arqueológica da importância de Mértola neste período”.
De facto, grande parte do batistério ainda conserva os mármores originais e a sequência estratigráfica demonstra que o “edifício caiu por si”, tendo havido uma parte posteriormente reutilizada no período islâmico. “Ao contrário do outro batistério, em que praticamente todo o mármore desapareceu”, compara Virgílio Lopes. Pelas colunas caídas, a descoberto, e pelas que ainda se adivinham no solo, pode deduzir-se também a existência de uma abóbada que seria pintada, mais um elemento a atestar a monumentalidade do edifício. Dessa cobertura, chegaram até nós pequenos fragmentos do revestimento a fresco, o maior deles do “tamanho de uma mão”. Estamos, pois, perante “um puzzle gigante, de que sabemos muito pouco. E isto é também uma novidade, porque os mosaicos já conhecíamos e os revestimentos a mármore também. Este revestimento com frescos é uma novidade interessante”, sublinha o arqueólogo, lembrando o trabalho de parceria que, durante meses, foi feito com a “National Geographic” portuguesa e que resultou na reconstituição do batistério publicada na edição de dezembro. “Foram alguns meses de trabalho, trocando informações, vendo outros batistérios, comparando, para se atingir aquele modelo, que é criticável, mas é um dos possíveis. É uma espécie de retrato robô e a esse retrato faltam muitas peças”.
Teria existido um bispo de Mértola? Para dar vida à cena, a reconstituição, em 3D, idealiza um adulto prestes a ser batizado, com apoio de um sacerdote principal e de um auxiliar. Mas nada disto está documentado e a própria questão de quem seria o oficiante dos rituais suscita muitas dúvidas, que darão pano para mangas para as gerações vindouras de estudiosos. “Sabemos que, no século VI, quem batiza é um bispo. Não é como hoje, que é um pároco que faz o batismo na igreja, a crianças. Mas, do ponto de vista histórico, textual, não há registos de nenhum bispo católico em Mértola. Portanto, havendo aqui estes dois batistérios, tinha de haver pelo menos um bispo, que poderia ser monofisita, donatista, não sabemos. Mas o que sabemos é que, havendo um bispo, não estamos a falar de uma aldeia, de um sítio qualquer”, considera Cláudio Torres.
É a arqueologia a acrescentar “outras realidades” às fontes escritas que, no caso da Mértola paleocristã, não existem, nota Virgílio Lopes. “Se fôssemos olhar às fontes, Mértola não teria existido neste período. Não há nenhuma referência, nomeadamente à existência de um bispo. Nenhum dos bispos de Mértola, a existirem, foi aos concílios. E a arqueologia está a dizer-nos precisamente o contrário. Houve aqui um investimento grande, o que significa que este batistério foi feito para funcionar, com bispo ou bispos, de onde quer que eles viessem”.
Paulatinamente, o puzzle vai-se desvendando, mas os dados sobre os vivos são decididamente menos conclusivos do que os vestígios que retrataram a morte. “Isto é uma peça, mas esta peça faz parte de um conjunto que gostaríamos de entender um pouco melhor. Sabemos alguma coisa sobre os batistérios, sabemos alguma coisa sobre as basílicas e sobre as práticas funerárias, mas conhecemos muito mal os vivos desta época, o que é que faziam”, confessa Virgílio Lopes. Certamente estariam ligados ao rio e a um comércio próspero que não termina no período romano e se desenvolve nas centúrias seguintes. Assim, todas as especulações vão desembocar na mesma conclusão, conclui o arqueólogo: “Para existir esta elite religiosa, com estes muitos metros quadrados de construção, teve que haver muito dinheiro para fazer e manter isto. E isso é mais uma prova indiscutível de que Mértola era uma terra importante”.
Delegação de Roma visita Mértola em abril
O segundo batistério de Mértola espera, para abril próximo, uma “visita importante” de Roma, mais concretamente do Instituto Pontifício, que enviará uma delegação de 50 alunos e professores. “Isto está a ter uma dimensão internacional completamente anómala, com estes dois gigantescos batistérios”, informa Cláudio Torres, e aponta para o passo seguinte, o das “intervenções museográficas” que, necessariamente, têm que ser feitas para permitir a leitura pública desta “dualidade” religiosa que, no continente europeu, só tem paralelo na cidade italiana de Ravena.
O que era apenas um sítio interessante, sob o ponto de vista científico, mas “com pouca leitura, sob o ponto de vista museográfico”, alterou-se com as escavações do verão passado. “Agora, estamos perante uma outra realidade. A ideia é continuarmos e, dada a monumentalidade do sítio, vale bem o investimento. O que é que teremos ainda por baixo?”, questiona-se Virgílio Lopes.
Colocam-se, no entanto, os entraves práticos típicos de uma conjuntura económica difícil. Para já, têm que ser tomadas medidas de preservação do espaço, para evitar que se destrua, sendo que, a breve termo, se coloca a necessidade de criar estruturas de proteção. “Sabemos mais ou menos como é que seria o edifício mas não podemos reconstituí-lo. Temos, sim, que criar a partir daqui toda uma sugestão de volumetria que evidentemente não pode ser montada no terreno. Como, com que dinheiro? É preciso investimentos. Do Estado, da Câmara de Mértola. São questões que se vão colocando”, adianta o diretor do Campo Arqueológico de Mértola.
Virgílio Lopes está otimista. Basta-lhe a importância da descoberta e a convicção de que, mais cedo ou mais tarde, chegarão os investimentos: “Todos conhecemos a conjuntura em que estamos. Agora, uma coisa é certa: isto é demasiado importante para se destruir, para não se fazer alguma coisa. A parte divertida, de escavar, de encontrar coisas novas, está feita. Agora vem a parte de como manter isto, de como dá-lo a conhecer e como permitir que as pessoas usufruam dele. Porque é nessa dinâmica que temos que inscrever-nos aqui em Mértola. Não sabemos quem vai pagar isto, mas havemos de encontrar”. CF
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Arqueologia,
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Região,
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Alsafir reabre com nova gerência
O Alsafir reabriu com nova gerência.
Rosa Roxo e Cláudia Almeida assumiram este novo projeto que
oferece petiscos, chá café, bolinhos produtos regionais e muito mais.
Aconselhamos vivamente que façam uma visita, vão ficar agradavelmente surpreendidos.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
quinta-feira, 13 de junho de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Pré-Programa do Festival Islâmico já disponivel
Tema |
Festival Islâmico 2013,
Local,
Mértola,
Municipio,
Turismo
quinta-feira, 28 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Passeio Pedestre de S.Valentim - INSCRIÇÕES LIMITADAS
Tema |
desporto,
Local,
Parque Natural Vale Guadiana,
Turismo
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Canoagem - Seleção Nacional Júnior em estágio em Mértola
Canoagem divide seleção júnior por dois centros de estágio
A Federação Portuguesa de Canoagem decidiu, pela primeira vez na história, dividir uma seleção em dois grupos, com os juniores a estagiarem repartidos entre Vila Nova de Gaia e Mértola.
De 19 a 26 de janeiro vão ser oito os canoístas a estagiar no Centro Náutico Edgar Cardoso, no Rio Douro, integrado na sede da federação, enquanto outros dez vão concentrar-se no Centro de Estágio do Guadiana do Clube Náutico de Mértola, naquela vila alentejana.
Esta medida estava prevista no programa de reeleição de Mário Santos na presidência da federação.
A época fica marcada pelo campeonato da Europa, de 27 a 30 de junho em Poznan, Polónia, e os mundiais de 01 a 04 de agosto, em Welland, Canadá.
Por
Carlos Barros
07 Jan, 2013, 18:26 / atualizado em 08 Jan, 2013, 00:24
In
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O Museu do "Hotel Museu" uma visita pré inauguração
Apesar da falta de qualidade das imagens não posso deixar de as partilhar com os nossos visitantes. Ficam com uma pequena ideia dum Museu único a inaugurar brevemente em Mértola. Os nossos agradecimentos ao Sr. João Luis Palma proprietário do Hotel Museu.
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Arqueologia,
Cultura,
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Exposições,
Local,
Mértola,
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Desassoreamento do rio Guadiana deve avançar em 2014
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O desassoreamento do Rio Guadiana, previsto há vários anos, deverá avançar até 2014, constituindo-se como uma "peça-chave" para combater as assimetrias nas regiões do Alentejo, Algarve e Andaluzia (Espanha), revelou esta terça-feira, 4, o presidente da euro-região.
"Nestas zonas transfronteiriças, tem havido uma assimetria muito grande com o litoral", sendo o Rio Guadiana "a peça-chave para combater as assimetrias", defendeu o presidente da Euro-região Alentejo-Algarve-Andaluzia (EuroAAA), David Santos.
O responsável falava aos jornalistas à margem das terceiras "Andalusíadas", que decorreram no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, em Évora.
Organizada anualmente pela EuroAAA, a iniciativa, este ano subordinada ao tema "As pontes que nos unem ao futuro", visa promover a euro-região e apresentar e debater ideias de interesse comum.
Referindo-se ao Plano Estratégico de Acção para a Cooperação Transfronteiriça da EuroAAA (PACT-A3), o presidente da euro-região destacou o desassoreamento do rio Guadiana como um dos projectos mais "emblemáticos" do documento.
Um boletim cultural na Internet, a criação já em Janeiro de uma euro-cidade, envolvendo os municípios de Vila Real de Santo António e Ayamonte (Espanha), e o lançamento de um livro de receitas gastronómicas das três regiões são outros dos projectos.
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