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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não tiveram tempo?


Com este Ministério Público não vamos muito longe, se é que iremos a sítio algum...

Os procuradores Pais de Faria e Vítor Magalhães (os tais pressionáveis), que subscreveram a decisão de encerramento do inquérito Freeport (já lá vai o tempo em que os despachos do Ministério Público eram proferidas por um único magistrado) tiveram por bem consignar na decisão de encerramento que "após a análise do inquérito e compulsados todos os elementos que dele constam, verifica-se que nesta fase, não obstante a ausência de qualquer proposta neste sentido por parte da Polícia Judiciária, importaria proceder à inquirição do então ministro do Ambiente, actual primeiro ministro".

A seguir, os procuradores elencam um conjunto de 27 (vinte sete) questões que "importaria que o então ministro do Ambiente esclarecesse" (prova dos nove? 2+7=9, noves fora... Zero ).

Explicam depois que o vice-procurador-geral da República proferiu um despacho no dia 4 de Junho, fixando o dia 25 de Julho para o termo do prazo de encerramento do inquérito e "tendo em atenção este facto e o disposto na lei do Conselho de Estado quanto à obrigatoriedade de obter autorização daquele órgão para ouvir o primeiro ministro, concluem que "mostra-se, por ora inviabilizada" a inquirição de José Sócrates!

Ora, o que os dois procuradores fizeram, depois de muito matutar, foi colocar no processo uma bicha de rabiar que irá alimentar, sabe-se lá por quanto tempo, a chafurdice dos media para abater Sócrates e o seu Governo.

Das duas uma: ou tinham necessidade de ouvir José Sócrates- tiveram longos anos para o fazer e não o fizeram- ou então deveriam ter-se abstido de colocar questões que nunca até aí entenderam ser necessário formular.

Na primeira hipótese, não cumpriram eles o seu dever, relevando de desculpas esfarrapadas as delongas da autorização do Conselho de Estado para não o ouvir...

Na segunda hipótese, a situação ainda se torna mais grave: ao mesmo tempo que arquivavam o processo, fizeram figurar no despacho de conclusão do Inquérito as perguntas que antes não quiseram dirigir ao Primeiro Ministro. Por muito estranho que pareça, uma única dedução é possível: alimentar a comunicação social para que o caso seja chafurdado, depois do arquivamento.

É ainda uma afronta gratuita ao Procurador Geral da República e ao seu número dois, Dr Mário Gomes Dias, um homem integérrimo acima de qualquer suspeita!

Veja a notícia aqui.

Não tiveram tempo? Tiveram todo o tempo deste mundo e do outro!!!!!!

Mas é assim que funciona o nosso Ministério Público. Como uma vez disse o Procurador Geral da República, Pinto Monteiro, há o conde, o visconde, a marquesa e o duque.

Nada, pois, de assumir responsabilidades: a culpa foi...do seu superior hierárquico, o Vice-Procurador Geral da República!

E fizeram-no como se fosse um órgão colegial: dois procuradores para assinar um despacho final. Como se fosse um tribunal colectivo ou um tribunal de recurso. Com esta insignificante diferença: nas decisões judiciais colegiais, apenas um juiz redige a decisão. Os outros concordam ou discordam (votos de adesão e de vencido). Os nossos procuradores fizeram uma parceria ou uma vaquinha ou uma mielas, se se quiser. Mas não sendo razoável conceber que os dois alternassem na redacção dos parágrafos da decisão, jamais se ficará a saber qual deles a redigiu .

Aconteceu assim também no processo Casa Pia. Diluem-se as responsabilidades individuais (cada um pode dizer sempre que foi o outro) e atiram para cima do Vice-Procurador Geral a culpa pela alegada omissão!

E aí temos o inefável Público a embandeirar em arco na primeira página de hoje! Quase que apostava que o apóstolo Crespo fará o mesmo logo à noite, no jornal das nove, e o pequeno arquitecto já está a salivar pela edição de amanhã do radioso Sol. Não matam mas moem. Mas que praga!

Desculpem, mas tenho que ir vomitar. Volto já.

1 comentário:

  1. É natural que não tenham tido tempo. Levaram muito tempo a falar com o Lopes da Mota que os deve ter convencido a fazer qualquqer coisa.Estes homens de facto com tanta independencia e tinham tanto medo de ser pressionados, que bastou uma palavra do Lopes da Mota para os homens se assustarem. Grande confiança neles próprios.
    Se houvesse justiça a séria já estes dois procuradores estavam suspensos com inquerito em cima para saber quem os comanda.
    De facto primriro ministro como socrates nunca houve nenhum.O Objectivo era abatê-lo, sair pela porta de trás, como a imprensa fez ao Cavaco, ao Guterres aos Durão e até ao Santana.
    Até aqueles que o mandaram abater passaram agora a elogiá-lo pela su coragem, determinação e firmeza.
    Precisamos de mais Socrates neste País.

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