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Brevemente novo artigo de opinião de Jorge Pulido Valente com o titulo: RUMO Á ECONOMIA CIRCULAR. O QUE É?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Museu de Mértola inspira imagem do Festival Islâmico


O grafismo que está na base da edição de 2017 do Festival Islâmico de Mértola foi inspirado na decoração de dois objetos que integram a coleção do núcleo museológico de Arte Islâmica do Museu de Mértola.
 
As duas jarras de cerâmica dourada, caraterizadas por uma decoração em baixo relevo e um vidrado de reflexo metálico, foram recolhidos na intervenção arqueológica realizada na Alcáçova, mais concretamente no criptopórtico, e cronologicamente situam-se na segunda metade do século XII d.C.. As duas jarras gémeas foram executadas numa técnica mista que combina um corpo concebido com um molde com um colo torneado, completamente revestidas com um vidrado monocromático melado no interior e que apresentam uma espessa camada branca de estanho no exterior.
 
Sobre esta camada de vidrado aplicou-se o desenho a dourado ou reflexo metálico que se ajusta, no corpo, ao programa decorativo impresso em relevo, e no colo, bordo e asa, se encontra espalhado sobre a superfície lisa com algumas aplicações de esgrafitado.

No colo identifica-se uma sequência de bolbos de lótus, formados pela contraposição de duas palmetas, em que os traços mais vincados são preenchidos por linhas esgrafitadas. No corpo, a decoração em relevo ordena-se numa composição de sebqa (formada por arcos polilobulados sustentados por colunas torças que enquadram representações fitomórficas) e, entre os arcos, inscrevem-se lótus formados pela contraposição de duas palmetas. Em termos simbólicos, nas civilizações orientais, a flor de lótus representa a eternidade e a pureza, a eternidade relacionada com o ciclo de desenvolvimento da planta e a pureza representada pela flor.


Conhecem-se peças de idêntica decoração em Almeria, Córdova, Jerez de la Frontera, Alcáçer do Sal e Silves. Em Mértola foram encontrados outros fragmentos de peças realizadas utilizando o mesmo molde, entre os quais se identificou uma com evidentes defeitos de cozedura, o que poderá constituir indício de se tratar de uma produção local. Os dois exemplares encontram-se expostos no núcleo de Arte Islâmica do Museu de Mértola onde podem ser apreciados pelo visitante numa estreita relação com outros objetos da mesma cronologia.


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