Vamos falar de


terça-feira, 16 de março de 2021

Eram dias e também noites de glória


Eram dias e também noites de glória quando aos 17 anos trabalhava no hotel.

Sendo recepcionista estava no sítio certo para ir deglutindo turistas, essas aves de arribação que chegavam e iam para que outras aparecessem, a vida era uma festa, ainda que por vezes cansativa. Detrás do balcão da recepção vi-as chegar, tirava as medidas à fantasia e podia distribuí-las por quartos mais favoráveis a alpinismos.

Certa vez aterraram lá duas suecas, monstruosas de boas. Cruzei os olhos com o director, um rapazola de dezoito anos apenas licenciado em filho de dono do hotel, olha que dois gaiatões....
Uns sorrisos, umas larachas para cá e para lá e outras tantas conversetas e estavam no papo, íamos com elas para a discoteca nessa noite, ver, ir e vencer era o lema.

Foi um estoiro a nossa entrada triunfal no Sete e Meio, todos se viraram quando entrámos com aquele par de mulherões, pouco vestidas para os lusitanos costumes da época, suecas, louras e tão, tão boas elas eram. Foi uma consternação geral. Fomos para o reservado só atribuído aos vipes e levámos uma garrafinha de uísque, que com isso se acede à fechadura dos mais pudibundos decotes.

A minha sueca vestia uma muito sumária mini saia e uma blusinha bem justa à pele com motivos a imitar leopardo, donde se avistava superlativa peitaça, já me sonhava lá encarrapitado e com livre acesso a tudo aquilo.

Foi tal o alarido da nossa chegada com as suecas, tantos os cochichos, os comentários dos basbaques, que tanta comoção se transmitiu ao Liberto e ao Pífaro, eles sim, já homens batidos, com muita prática curricular de suecas, com muito mundo de mulheres e absoluto domínio das jogadas da noite. Foram conhecê-las e tal foi a animação, que elas se mudaram sem apelo nem agravo para a mesa deles, muito riam e mais ainda bebiam, enquanto nós encostados ao balcão víamos as suecas por um canudo, essas grandes mulas.

Depois, claro, saíram com elas, ala para Montechoro e passado dois dias foi um mandarete ao hotel buscar-lhes as bagagens, elas já estavam a desfrute daqueles abutres.

Certo é que nem tudo corre a preceito nesta vida e por causa de umas suecas levámos uns tempos sem voltar ao Sete e Meio, mas nem assim nos salvámos da chacota daqueles que lá estavam naquela noite e connosco se iam cruzando na rua e na vida.

Terá sido mesmo assim, uma noite inesquecível.


Obrigado Pedro por mais esta pérola

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se quer comentar inscreva-se no Blog

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.