Vamos falar de


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Presidenciais 2011- Direita mais perto do sonho?

"A campanha para as eleições Presidenciais de 23 Janeiro último, e o respectivo acto eleitoral que conduziram à reeleição de Cavaco Silva, já lá vão! Mas a votação expressiva no candidato eleito, e sobretudo as respectivas “consequências”, teremos que aguardar para as conhecer, em pormenor. Sim, em pormenor, porque muito se pode, desde já, adiantar. Em 1º lugar a “vitória” da abstenção. Contudo a abstenção não engloba aqueles que não querem contribuir para a decisão? Que deixam os outros decidir por eles? Há que respeitar o eventual sinal de protesto, mas que conduz a alguma alteração?

Recomeçando então pela votação expressiva em Cavaco Silva: - Os Portugueses estariam assim tão satisfeitos com o seu desempenho no 1º mandato? Contentes com uma magistratura de silêncios? Com os “famosos alertas”(de que tanto se gaba Cavaco) relativamente à crise, que nem demos por eles? O que evitou o Sr.Professor de Finanças? Que aumentasse a dívida pública, que aumentasse o desemprego, que fossem retirados direitos sociais? Evitou que a austeridade penalize os mesmos de sempre? Evitou que aqueles que auferem grandes vencimentos passem quase sem dar pela crise? Não, os Portugueses não são masoquistas, não gostam de sofrer e sentir, cada vez mais, as suas vidas a andarem para trás. Ah esquecia-me! Da feroz crítica de Cavaco durante a campanha eleitoral, à redução dos salários dos funcionários públicos, depois de ter promulgado a lei. A isso chama-se o quê? Pelo menos, hipocrisia! Mas os Portugueses serão ingénuos?

Como é possível que, passados 36 anos do 25 de Abril, um candidato de direita reúna mais votos que todas as outras 5 candidaturas? Cavaco Silva não ganhou apenas com os votantes do PSD e CDS/PP. Então e todos os outros? Mas os Portugueses não são críticos, não pensam por si? É fácil manobrar uma grande faixa do eleitorado e levá-los a ter suspeitas e desconfiança? E os factos, mais que reais, comprovados do BPN e das acções da SLN do Prof. Cavaco, que tanto o ofenderam, como se mentiras se tratasse, não puseram os Portugueses a questionar?

Por outro lado, há que reflectir sobre os resultados da candidatura de Manuel Alegre. Sempre tive a opinião que Manuel Alegre, que apresentou a sua candidatura sem quaisquer apoios partidários, se devia manter como tal, como em 2006. É certo que o BE e o PS expressaram os seus apoios mais tarde, e que o candidato não devia/podia recusar, mas isso, só o prejudicou. Porque, sendo Manuel Alegre o mesmo, defendendo os mesmos princípios e valores, um Homem livre, como a sua vida recente e passada demonstram, logo as outras candidaturas intoxicaram o povo colando Manuel Alegre ao Governo e ao PS, tentando e pelos vistos, conseguindo, que os Portugueses desconfiassem não ser genuíno, aquilo que sempre, sempre defendeu, antes e pós o 25 de Abril, e tentando-o responsabilizar pelas medidas de austeridade, algumas pondo em causa a justiça social, tomadas pelo Governo PS.

E o Partido Socialista o que fez? Apoiou formalmente a candidatura de Manuel Alegre, mas a sua participação activa na campanha eleitoral foi muito insípida, só acompanhando o candidato… E pelo país, pelos concelhos, pelas freguesias? Muito pouco se viu e sem força anímica, sem garra, sem entusiasmo. Na nossa região, até foi insólito! A carta da Federação do Baixo Alentejo do PS, mobilizando os militantes do PS, chegou às suas caixas de correio no último dia de campanha. Isso mesmo, dia 21 de Janeiro. Perante os resultados eleitorais, teremos que concluir que: o PS ajudou Cavaco Silva a ser reeleito, pela ausência de mobilização e porque não afirmar: com votos, muitos votos. Mas que ironia! Na noite eleitoral o candidato reeleito foi extremamente hostil com os adversários e nem se afirmou o Presidente de todos os Portugueses. Isso corresponde à estabilidade, também falada nessa noite?

Foi assim! O PS contribuiu para a direita estar mais perto de realizar o seu sonho: um Presidente, uma Maioria, um Primeiro-ministro. As consequências, essas serão sentidas pelo Povo, quando o estado social for mandado às malvas. Mas que importa isso? O Povo já está habituado a viver mal, (dizem vergonhosamente alguns), o que interessará será a manutenção dos “lugares quentinhos”, nem que para isso se tenham de encostar ao PSD."

Por
Eugénia Alho, ex-deputada do PS
in

2 comentários:

  1. A análise das presidenciais tem muitas variáveis para se analisarem.Desde a personalidade dos candidatos, a motivação dos partidos, a análise da situação economica financeira do País, os média, e por fim a inteligência ou não do Povo Portugues.
    A direita chegará ao poder inevitávelmente (PSD +CDS)não por mérito próprio mas por demérito da esquerda que faz oposição e da esquerda que está no poder. Quer se queira ou não as consequências do chamado Estado Social (não se sabe qual a sua abrangência)que este Governo foi alargando às grávidas, aos idosos e às benesses continuas que foi dando às classes bem organizadas e bem pagas-médicos-professores-juizes-empresas públicas e politicos para não falarmos das aposentaçõe aos 55 anos de gente ganha mais na reforma que no activo, tudo isto contribuio para a descalabro das finanças públicas.
    Não tenho dúvida que fosse a direita a fazer os PEC não seriam apenas os que ganham mais de 1500 euros que seriam penanizados e de certo que percentualmente seria ainda mais gravoso.
    Obviamente que tudo isto pesou a favOr do candidato da direita que ainda por cima, salvo raras ecepções, tratou o Governo com solidariedade.Cavaco tinha tudo para ganhar.Até nos casos das acções o Manuel Alegre saiu mal, por que afinal ainda que com menor dimensão ele também entrou no jogo e saiu mal e as suas explicações ficaram como as de Cavaco.
    Sabia-se que o Manuel Alegre ao avançar para uma candidatura e ter negociado logo à partida o apoio do BE condiconava o PS e ainda mais o seu eleitorado.
    A postura do Manuel Alegre como deputado a fazer comicios com o Louça, indiciava que nunca o seu eleitorado (PS) faria campanha em conjunto.
    Mais, a postura de Manuel Alegre ainda como deputado e ao candidatar-se à revelia do PS contra Mário Soares abriu a todos os militantes e simpatizantes a possibilidade de fazer o mesmo.
    E foi o que fizeram com toda a sua independência e no pensar pela cabeça de cada um, como disse Manuel Alegre, que muita gente ligada ao PS e moderados do PSD descontentes com Cavaco, tivessem optado por uma das tres posições-Abstenção, voto em Branco ou voto em Fernando Nobre.
    Depois Manuel Alegre, não empolga,naõ tem ligações ao Povo, e não tem ideias concretas a não ser questões genericas e vagas da defesa do estado Social.Não é o PS no seu todo que apenas contribui para a direita chegar ao poder.Há muita gente no PS que tem vindo de facto a contribuir para que isto aconteça, nomeadamente todos aqueles que sendo responsáveis, alinham no coro do que está tudo mal e que Socrates é o mau da fita.
    Mas mesmo antes da Crise e contra os seus interesses foi Socrates que aumentou o Estado Social, subsidos desempregos, abonos familia, solidario idoso,alargamento medicamentos a custo zero, baixa da factura dos medicamentos.Mas também foi capaz de mexer nos beneficios da classe politica, elimnação de subsidios integraçao, reformas só a partir dos 55 anos, deslocações aos etrangeiro, limitação de distribuição de dvidendos dos admnistradores das empresas publicas, fim das reformas vitalicias aos admnsitardores da CGD e Banco Portugal e tributação de 42,500 A RENDIEMNTOS SUPERIORES A 150 00o euros.
    Do que tenho ouvido das propostas do Passos Coelho e se todos tivermos unidos à volta do essencial duvido que a direita regresse ao poder nos anos mais próximos.
    Mas para tudo isto é importante falar verdade dos custos da SNS um dos melhores da Europa, da nossa educação que faz progressos, na inovação de toda a função pública, muitos furos já acima da Esopanha Itália, etc. e das boas estruturas rodoviárias pelo País fora.
    Por último O Baixo Alentejo muito acinhado por Socrtes com grande empenho do Luis Ameixa, melhorou significativamente Sines, Aeroporto de Beja, Alqueiva ,Pirites Alentejanas e negias renováveis.
    Que os investidores saibam agora tirar partido de todo este investimento Público, Este Governo já fez bem a sua parte.
    O PCP acha que não. Mas o nosso povo continua a ser inteligente, sabe premiar quem os não engana, como se comprovou pela votação de Francisco Lopes.

    ResponderEliminar
  2. Tem razão, caro Besnev, o povo votante do concelho Mértola é que continua a ser pouco inteligente: deu o maior número de votos ao Chico Lopes (990)! Além de ser pouco inteligente, sobraram 787 votos para dar a Alegre, o qual, como bem diz o Bresnev, não tem qualquer ligação ao Povo. Nunca pensei haver tantos aristocratas, clérigos e latifundiários neste concelho! Para não falar já dos 301 que votaram no Nobre candidato, que, por sinal, é monárquico.
    A minha esperança é que a parte inteligente tenha sido a que se absteve ou votou em branco ou no Cavaco. Safa...

    ResponderEliminar

Voltamos a ter comentários abertos, mas moderados. Agradecemos educação e cuidado com a linguagem.