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sexta-feira, 12 de março de 2010

A propósito de sondagens

Já me referi aqui ao que então chamei de entorse do actual quadro partidário. E fi-lo a propósito do Bloco de Esquerda, que considerei também tratar-se de um epifenómeno, destinado a desaparecer na primeira esquina do tempo.

Efectivamente, com uma implantação predominadamente urbana e não discutindo a qualidade intelectual do
sua principal figura - Francisco Anacleto Louçã - a verdade é que o BE resultou de uma amálgama de pequenos partidos marxistas/leninistas/trotzquistas, sem vocação de poder, hábil na capitalização de descontentamentos, usando como ninguém os espaços mediáticos e fazendo da demagogia o seu mais importante trunfo.

Assitiu-se, assim, a um crescimento desmesurado do Bloco - uma espécie de albergue espanhol - à custa de alguns descontentes, uns provenientes da ala esquerda do Partido Socialista, outros do próprio Partido Comunista.

A recente sondagem efectuada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa mostra um Bloco de Esquerda a cair para cerca dos 6% das intenções de voto dos portugueses, uma queda para metade do que conseguira na última sondagem (12%) e menos quatro pontos percentuais do que obtivera nas últimas eleições legislativas! Clique aqui para ver.

Costuma dizer-se que "as sondagens valem o que valem", mas não deixa de ser significativo que, num espaço de tempo tão curto, o BE apareça com uma expressão bem mais próxima da sua real representatividade.

Curiosamente, o Partido Socialista subiu nas intenções de voto dos portugueses, reforçando-se agora nos 41%, um resultado que o coloca próximo da maioria absoluta.

Surpresa? Eu penso que não. Debaixo de fogo cerrado desde há tantos e tantos meses, o que podemos e devemos concluir é que a opinião publicada está longe de corresponder à opinião pública, isto é, àquilo que os portugueses realmente pensam do Partido Socialista que suporta o Governo.

Com "atentados contra o Estado de Direito", acusado de "condicionar a liberdade de imprensa", de "suprimir a liberdade de expressão" e de "institucionalizar a censura", o Governo do PS soube resistir heroicamente a esta extraordinária barreira de fogo, respondendo os portugueses às aleivosias contra ele direccionadas com mais 3 pontos percentuais nas suas intenções de voto.

Será que os partidos da oposição não saberão tirar as devidas ilações?

1 comentário:

  1. Se tivesse que fazer uma análise sobre esta sondagem, difcilmente faria algo de diferente.A CDU ninguém espera nada dali a não ser aguardar pelo momento de cada proposta ser votada que é sempre não. Depois o CDS muito bem vem capitalizando os descontentes do PC e pasme-se da CDU que espaço ele ocupou.Um reformado um agricultor um desempregado já confia mais no CDS do que no OC ou CDU.Quanto ao PS o povo já percebeu que a comunicação social já o papel da oposição da maldic^^encia. De tudo ou que foi dito nada se provou. Alguma Justiça, alguns jornalistas, alguns jornais têm feto o que podem para destruir o primeiro minsitro, mas ele lá vai fazendo o seu caminho e aumentando nas sondagens.

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