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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma candidatura divisionista

Foi ontem noticiada a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da Republica. O lançamento da candidatura será feito amanhã, pelas 20H00, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa (clique aqui para ver a notícia).

Curiosamente, à mesma hora, Manuel Alegre jantará em Coimbra com muitas centenas de apoiantes seus.

Segundo o Expresso, o presidente da AMI, Fernando Nobre, fez parte da Comissão de Honra e da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Ainda segundo aquele jornal, Nobre foi o mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de Junho de 2009.

Mas Fernando Nobre não se fica por aqui. Integrou também a comissão de honra da recandidatura de António Capucho, conhecido militante do PSD, à presidência da Câmara Municipal de Cascais.

Suplantando, até, uma conhecida personalidade política da nossa Vila, ficou mais próximo da deputada Maria José Nogueira Pinto, que ficou célebre, entre outras abrangências partidárias, por, em plena Assembleia da República, ter apelidado de palhaço um colega de outra bancada.

Podemos dizer assim que Fernando Nobre é uma espécie de "três em um"!

Mas será pertinente perguntar: o que faz correr Fernando Nobre?

Há quem diga que a sua candidatura só seria possível pelo incentivo que teria recebido da ala soarista do Partido Socialista. Mas, francamente, tenho dificuldade em aceitar esta estranha conjectura.

Mário Soares é um animal político. Assumiu-se sempre como Político e continua a assumir-se como tal. Orgulha-se disso. Num tempo em que a todo o instante, por fas ou por nefas, o populismo está presente em muitos sectores da nossa sociedade, insurgindo-se contra a "classe política", Soares é justamente o oposto.

Fernando Nobre é um médico que se notabilizou por causas humanitárias no quadro da sua profissão. Não tem qualquer experiência política. Nunca exerceu cargos públicos. Não se lhe conhece qualquer ideia para o País. Por isso, repito, tenho muita dificuladade em aceitar que Mário Soares se reveja nesta Nobre candidatura. Não se revê.

De resto, nem Soares nem o Partido Socialista nem qualquer dos seus dirigentes, em nome do partido ou a título pessoal, veio a terreiro declarar qualquer apoio ou manifestar o mais pequeno gesto de simpatia à candidatura de Fernando Nobre.

Seja porém como for, do que não há dúvida é de que a candidatura de Fernando Nobre não pode deixar de se considerar como uma candidatura divisionista.

Em "campanha eleitoral" desde há um tempo, embora com uma mais que provável recandidatura estival, o actual Presidente da República, qual Fénix renascida, só pode ter motivos de grande júbilo. Dir-se-ia que o anúncio da candidatura de Fernando Nobre terá sido recebido, lá para os lados de Belém, como uma verdadeira benção caída do Céu!

Muita água há-de correr por debaixo das pontes... No imediato, aguardemos a declaração do dr. Fernando Nobre e o que ele tem para nos oferecer. É já amanhã.

1 comentário:

  1. Concordo em absoluto até na comparação da personagem da terra. Toma almoço com bloco esquerda, janta com o PCP e ceia com o PS. Quem será?

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