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sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Candidatura de Nobre e o riso do Banqueiro



Foi ontem à noite, no Padrão dos Descobrimentos, em Belém, rodeado de algumas dezenas de apoiantes, sobressaindo, entre outros, os nomes de Catalina Pestana, o conhecido empresário, comentador e analista desportivo Rui Moreira, e Margarida Pinto Correia, antiga mandatária para a Juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência - agora coordenadora da campanha de Fernando Nobre - que este proferiu a sua declaração de candidatura à Presidência da República.

Num discurso de conteúdo pobre e parco de ideias para o País, Nobre declarou-se um candidato vindo da "sociedade civil", apartidário, que não se candidata contra ninguém, fazendo-o apenas por um imperativo moral.

Destacando o grau de pobreza em Portugal e os índices económicos, pondo a tónica nos valores da Ética, Nobre invoca o seu passado de descomprometimento político, os seus conhecimentos da geoplítica, do País e de quase todo o mundo, bem como dos países de expressão portuguesa, que conhece na totalidade. Referiu-se ao clima político do País, "onde não se pode viver num saco de gatos", e às comunidades emigrantes e imigrantes a quem prestará toda a ajuda.

Acreditando em Portugal e nos portugueses, Fernando Nobre promete, se for eleito, estabelecer um diálogo com os governantes e com os portugueses.

No seu jornal da noite, a SIC passou uma entrevista que Fernando Nobre deu a Miguel Sousa Tavares, a qual pode ser vista aqui.

Sousa Tavares questionou-o sobre se a sua candidatura não seria o resultado de iniciativa de Mário Soares, perguntando-lhe mesmo se falara com este antes da apresentação da candidatura.

Nobre, dizendo-se um homem livre e descomprometido, reconheceu, contudo, que falara com Soares, como falara com mais trinta personalidades de todos os quadrantes políticos, do CDS ao PCP (curiosamente não fez qualquer referência ao Bloco de Esquerda de quem foi mandatário nacional nas últimas europeias e sendo certo que apoiantes seus acusam Manuel Alegre de ser o candidato do BE), acrescentando que o dr. Mários Soares lhe dissera que, se o Partido Socialista apoiasse um candidato próprio, votaria nesse candidato.

Sobre a sua competência para o exercício do cargo de Presidente da República, Nobre disse que não conhecia as "interpretações da Constituição", o que, de resto, não constituía qualquer problema para ele: lá está o Tribunal Constitucional, o Conselho de Estado e os assessores.

Perante a insistência de Sousa Tavares, que lhe fez saber que é comumente designado na blogosfera como um catavento político, Nobre lá se foi explicando penosamente como apoiara Durão Barroso e lhe retirara depois a confinça, reafirmando-se livre e descomprometido e que a sua candidatura resultara de muitas insistências,vindas de toda a parte, do norte, do sul, do leste, enfatizando as que vieram, por exemplo, de Viseu e da Figueira da Foz! "Eu não sou lebre de ninguém".

E porque o entrevistador o confrontasse com a possibilidade da sua candidatura, concorrendo com a de Alegre, contribuir para a vitória do candidato da direita, Nobre não poderia ser mais claro: "Esse não é problema meu".

Sobre Alegre, Fernando Nobre sentenciou: "com 34 anos de deputado, como vice-presidente da Assembleia da República, ele terá as boas e más justificações para o Estado a que o País chegou".

Sousa Tavares quis saber se Nobre tinha alguma ideia sobre os custos da campanha eleitoral. O candidato não pestanejou: "cerca de um milhão de euros".

Não dispondo do dinheiro, iria falar com banqueiros. Sim, porque ele, Nobre, nada tinha contra o sistema financeiro. "O que não queria era alguns Bancos daqueles de que todos se recordam..."

Se nos lembramos de que o Padre Lino Maia, Presidente do Conselho Nacional das Instituições de Solidariedade Social, entusiasticamente agradado com a candidatura de Nobre mas não deixando de referir, no forum da TSF, que ele não tem possibilidades de vitória - até porque há um Presidente credível-, será preciso mais para se concluir que a candidatura de Fernando Nobre é uma candidatura enraizada no mais puro populismo, que tem como único objectivo travar e prejudicar a candidatura de Alegre e, por via disso, possibilitar a reeleição de Cavaco Silva?

Artur Santos Silva, muito próximo de Mário Soares, banqueiro e Presidente da Comissão das Comemorações para o Centenário da Repubica, disse à Antena 1, com ar sério, (...) que era positivo, muito positivo (referindo-se à candidatura de Fernando Nobre). Mas não se contendo, desatou a rir-se enquanto dizia que era "complicado ganhar essa batalha, muito complicado ganhar essa batalha sem o apoio das grandes forças políticas" .

Assim vão as presidenciais...


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