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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De que vale o sentido do voto para Louçã?

As últimas semanas têm proporcionado a Francisco Louçã um verdadeiro périplo pelo país, em busca de pequenos casos, de grandes notícias, de pequenas falhas ou grandes escândalos. Louçã tem calcorreado, quase a palmo, concelhos e distritos que não lhe têm dado, até aqui, a confiança do seu voto.

E, na mais habilidosa estratégia de cangalheiro, adoptou um discurso miserabilista no género, derrotista na projecção futura do país, pessimista quanto às políticas sociais e vazio no conteúdo. É, nitidamente, a estratégia do cangalheiro, que anda por aí a exacerbar a desgraça alheia, a dar palco à miséria sem, no entanto, levar consigo um programa que transpire esperança e optimismo.

E porquê? Por uma razão muito simples. Se o fizer deita por água a filosofia básica do seu partido. Contestar, criticar, demolir, mas nunca, nem que a isso fosse obrigado, construir ou apresentar propostas de solução. E isto explica a vontade sórdida, não admitida pelo BE, mas sentida por todos, em proporcionar a vitória de Ferreira Leite e consequentemente a derrota de José Sócrates. Só assim, Louçã fará o pleno.

Garante um crescimento do BE conseguido pela transferência de votos dos descontentes, justificado pelo alegado “falhanço” do Governo PS. E assim, sentir-se-á ilibado de governar e simultaneamente, agraciado por ter sido o líder político a conseguir o maior crescimento nestas eleições.

Mas, e Louçã sabe disso, se conseguir um aumento significativo de votos no BE, seja qual for o status quo parlamentar, terá que alimentar o capital de expectativa, de todos aqueles que nele confiaram. Ou seja, quem votar BE por descontentamento vai exigir dele soluções. Vai pedir ao Bloco, e a Louçã, que se responsabilize por esse depósito de confiança.

Todavia, essa não é a vocação deste pequeno partido, com vocação para ser pequeno e sem vontade de crescer. Na verdade a irreverência é, por definição, juvenil enquanto a responsabilidade é tradicionalmente imputada aos adultos. E é por isso que o Bloco não pode crescer. O Bloco não é, nem pretende ser um partido responsável. Se pretendesse, mesmo que evitasse coligações, estaria munido de propostas governativas viáveis.

O BE tem um grande problema, que o acompanha desde o início e que o fará extinguir a prazo, que é o facto de ser uma verdadeira manta de partidos retalhados. E, se esses retalhos por algum acaso pudessem, algum dia, ter sido um todo comum, essa esperança morreu quando o BE começou a criar simpatias naqueles que repudiaram a extrema-esquerda (e bem) mas não perceberam que o Bloco era não mais do que uma recauchutagem dessas esquerdas não democráticas. Hoje, embora não seja um mass party, o BE começa a ser um catch-all-party a caminho da ingovernabilidade interna.

Dará, certamente um brilhante caso de estudo. Pena é que as cobaias sejam o Portugal real.


Rui Estevão Alexandre

1 comentário:

  1. Excelente a caracterização do ANACLETO!

    Segundo o Expresso(1ª página), ANACLETO investiu 30.000,00 dele em PPRs. FERNANDO ROSAS, MIGUEL PORTAS e mais duas deputadas do BE apostaram também nos PPR. Coisas abolidas no programa eleitoral do berloque, como se sabe...

    ANA DRAGO e JOANA AMARAL DIAS compraram acções em privatizações, segundo o mesmo semanário.

    Um bom exemplo para os desempregados e para a classe operária...

    Quem se pode deixar iludir por estes pequenos burgueses, com o coração à esquerda e a carteira à direita?

    É a "esquerda" caviar no seu melhor! Não cheiram a suor,não senhor, exalam perfume e de marca.

    Usam também roupas de marca, suspensórios vistosos e camisolas Burbery (Fernando Rosas)!

    Mandai-vos dar uma volta ao bilhar grande!

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