Cidadania Activa 18
A propósito de Bolsas de Estudo
Lugar de informação, debate e opinião livre e responsavel em especial sobre Mértola e seu Concelho.
Cidadania Activa 18
A propósito de Bolsas de Estudo
Perguntas e respostas na última reunião da Câmara Municipal de Mértola
Cidadania Activa 17
Pomarão abandonado!
Na estratégia de desenvolvimento para o concelho de Mértola que tive a oportunidade de
concretizar entre 2001 e 2008, o Pomarão, importante antigo porto do Rio Guadiana, era
considerado um dos polos estruturantes para o turismo, nomeadamente, náutico, pelo que, ao
longo desses anos foram sendo feitos investimentos importantes quer ao nível das
infraestruturas quer dos eventos de animação, valorização e promoção, não só para atrair
visitantes como também para melhorar a qualidade de vida da população e fixar novos
residentes.
Foi assim, entre outros melhoramentos, construída a ponte internacional e os respectivos
acessos, ambição com várias décadas e sempre adiada, a qual permitiu um crescimento muito
significativo das relações e movimentos transfronteiriços; recuperados e (re)activados edifícios
públicos degradados; instalado sistema de abastecimento de água; montados cais (margem
esquerda e direita) e outros equipamentos de apoio à náutica de recreio e à pesca profissional;
iniciado o projecto de navegabilidade; realizados pela primeira vez eventos de animação,
valorização e promoção, dos quais se destaca o Festival do Peixe do Rio.
A estratégia seguida revelou-se adequada e, ao fim de algum tempo, os resultados começaram
a aparecer, designadamente, o crescimento do número de visitantes e os investimentos de
privados quer em habitação quer no turismo.
Lamentavelmente, esta linha de acção foi abandonada e, passados todos estes anos o
Pomarão está abandonado e em processo de degradação e definhamento, apesar das enormes
potencialidades que continua a ter para ser um excelente polo de atração e dinamização
turística do concelho como porta de entrada fluvial e porto de recreio e apoio náutico.
Actualmente, não obstante um dos vereadores da câmara ser daquela localidade, o
desinvestimento é de tal ordem que até o Festival do Peixe do Rio, evento de referência com
lugar cativo e de destaque no calendário turístico regional e até nacional e transfronteiriço, foi
substituído por um insignificante sucedâneo, apelidado de jornadas.
Entretanto, a rede de esgotos e o ultimo troço de estrada de ligação à N265 previstas ser
construídas há mais de uma década continuam eternamente adiadas e os edifícios públicos
anteriormente recuperados estão de portas fechadas e a degradar-se.
Com um orçamento municipal como nunca teve, de mais de 25 milhões de euros, e um saldo
transitado de mais de 11 milhões, não se consegue perceber porque razão este executivo
abandonou esta joia, em vez de investir na sua preservação, revitalização e valorização.
Jorge Pulido Valente
Cidadania Activa 16
A (in)significância do Plano de Salvaguarda do Centro
Histórico de Mértola
A Câmara Municipal de Mértola
realizou na passada semana uma reunião para lançamento do processo de revisão
do Plano de Salvaguarda e Valorização do Centro Histórico de Mértola, cuja
última versão tem já mais de 30 anos. Iniciativa louvável que, embora com pouca
adesão por parte da população, foi muito animada e produtiva, nomeadamente
graças às intervenções e contributos dos membros da Associação dos Moradores do
Centro Histórico, a qual entregou à autarquia um memorando com as propostas
iniciais para discussão.
Lamentavelmente, a CMM não
apresentou a equipa técnica que irá realizar o trabalho nem um diagnóstico ou um
documento base para reflexão e debate.
A primeira conclusão a que se
chegou, ao longo do debate, foi que, embora seja significativo que o CH disponha
de um Plano de Salvaguarda, ele é insignificante se não for acompanhado de um
programa de valorização efectivo, dotado de um orçamento adequado às acções que
visem suprir as carências, resolver os problemas e satisfazer as necessidades
do património e das pessoas que nele residem, trabalham ou visitam. Na verdade,
o Plano, ao longo destas três décadas, não foi nem um travão nem um factor de
dinamização da salvaguarda e valorização, pelo que, sendo importante não é, não
deveria ser, de modo algum, prioritário no processo de intervenção da Câmara no
Centro Histórico.
Certamente que não será um Plano
de Salvaguarda, cuja revisão ficará concluída, segundo a Vereadora Rosinda, no
final de 2024 que irá suster o avançado processo de degradação e esvaziamento
do Centro Histórico. É preciso AGIR já!
A atenção e acção da Câmara, em
articulação com a Associação dos Moradores do Centro Histórico, deveria, por
isso, focar-se primordialmente nas seguintes áreas:
1 – Infraestruturas: intervenção
planeada de remodelação faseada e total das redes de águas, esgotos, energia e
telecomunicações, incluindo a repavimentação
2 – Segurança: diagnóstico e
correcção das fragilidades das estruturas de contenção e estabilidade e
melhoria dos acessos e sistemas de emergência
3 – Circulação e estacionamento:
fiscalização da aplicação do regulamento, reforço da informação restritiva e
criação de transporte público elétrico
4 – Reabilitação, Revitalização e
Valorização: aquisição de imóveis para reabilitação e arrendamento jovem acessível,
reabilitação dos edifícios municipais de habitação e serviços, manutenção,
limpeza e melhoria dos espaços públicos, isenções e apoios significativos a
privados para a reabilitação de imóveis, programa de eventos socio-culturais e
desportivas
5 – Energia: criação da
Comunidade de Energia Renovável do Centro Histórico e instalação da respectiva
central solar
6 – Promoção: candidatura a
Património Mundial da Unesco
7 – Licenciamento: simplificação
e isenção de taxas nos processos de licenciamento de obras de reabilitação
8 – Governação: implementação de
sistema de governação integrada, colaborativa e participativa
Jorge Pulido Valente
Cidadania Activa 15
Carta Aberta à Isabel Campos
Cara Isabel, Directora da Universidade Sénior de Mértola
Dado que, apesar das minhas insistências, escritas e pessoais, continuo sem receber resposta
aos meus mails, decidi, como já te tinha avisado, expor publicamente o assunto.
Em novembro de 2022, pelo segundo ano consecutivo, enviei-te um mail no qual dizia:” Tive
conhecimento hoje que vão iniciar o ano lectivo na Universidade Sénior, pelo que volto a
manifestar a minha disponibilidade para trabalhar convosco, nas áreas do ambiente,
sustentabilidade, ordenamento do território, energia, turismo regenerativo, cidadania e
desenvolvimento regional e local”. À semelhança do que tinha referido no ano anterior a
minha colaboração seria, naturalmente, a título gratuito.
Em fevereiro deste ano, reencaminhei-te o mesmo mail e solicitei uma resposta, uma vez que
já tinham passado 3 meses.
Recentemente, encontrei-te pessoalmente e manifestei-te o meu desagrado por esta falta de
consideração, de profissionalismo e até de educação.
A tua reacção, dizendo-me que há respostas difíceis de dar, deixou-me de boca aberta e levou-
me a pensar sobre a razão que apresentaste para 5 meses depois do meu primeiro mail ainda
não ter merecido sequer uma simples justificação para não aceitares a minha disponibilidade
para colaborar com a Universidade Sénior.
Posso estar enganado, mas conclui que só pode haver dois motivos para o que se está a passar
pelo segundo ano consecutivo: ou não respondes porque és incompetente para o fazer ou
porque estás politicamente pressionada pela Câmara Municipal/PS para o não fazer.
Se estiver errado agradeço que me envies, finalmente, um mail a informar-me dos motivos
para tal omissão.
De qualquer forma, seja qual for o motivo que te levam a ignorar os meus mails, considero que
devias pensar seriamente em pedir a demissão de responsável pela Universidade Sénior
porque revelaste a tua incapacidade para cumprir as boas normas que devem reger qualquer
instituição ou, pior, a falta de coragem e isenção para resistires a pressões e discriminações
políticas.
Voltando a manifestar a minha disponibilidade para colocar à disposição da Universidade
Sénior de Mértola, gratuitamente, os conhecimentos e experiência que adquiri ao longo de 40
anos de exercício de cargos públicos em diversas áreas e lamentando ter que recorrer a este
meio, fico a aguardar a tua resposta.
Cumprimentos
Jorge Pulido Valente
Cidadania Activa 14
Rui Nabeiro, um exemplo de Cidadania Activa, Humanismo e Simplicidade
Tive a feliz oportunidade de conhecer e conviver pessoalmente com o Comendador Rui
Nabeiro, quer quando me apoiou activamente na minha primeira candidatura à Câmara de
Beja quer, posteriormente, no âmbito de algumas iniciativas no âmbito da Agenda Regional
para a Economia Circular e da Estratégia Regional para a Adaptação às Alterações Climáticas,
em que a Delta foi parceira da CCDRA.
Lembro-me de uma ocasião, em particular, em que ele, já octogenário, participou num
jantar/sessão, em Beja e que, por volta das 23h 30, veio pedir desculpa por ter que sair para
regressar a Campo Maior. Tendo-lhe agradecido a presença e a simpatia de ter aceitado o
convite, perguntei-lhe como é que conseguia, já com aquela idade, ter tamanha
disponibilidade para tantos eventos implicando um esforço e tantos incómodos, até físicos. A
resposta foi simples e elucidativa do seu carácter e da sua atitude perante os outros: as
pessoas convidam-me e, por isso, não tenho o direito de recusar e aceito com o maior prazer e
empenho.
A sua vida pessoal e profissional são um exemplo para todos, e dificilmente voltaremos a ter
em Portugal um empresário que conciliava tamanho humanismo e responsabilidade social com
uma visão estratégica, um sentido comercial e uma capacidade criativa e inovativa.
Mais de que um bom patrão Rui Nabeiro foi um líder incontestado e um exemplo de como se
pode ser empresário de sucesso em termos financeiros e, simultaneamente, um cidadão activo
e socialmente responsável, com uma extraordinária sensibilidade e proximidade com as
pessoas.
Soube ainda, este Homem, preparar de forma exemplar a sua sucessão à frente do império
que construiu, conseguindo, estruturar ao longo do tempo e das gerações uma equipa familiar
e mais alargada, em que filhos e netos assumiram de uma forma tranquila a liderança da
organização, garantindo que o desaparecimento do seu fundador não viria a criar
perturbações no seio da(s) empresa(s) que pusessem a causa o futuro do Grupo Nabeiro.
Um Homem simples e tranquilo que o enorme sucesso pessoal e profissional e o
reconhecimento público não deslumbrou nem envaideceu.
Cidadania Activa 13
Encontro de Empresários de Mértola
Foi com alguma expectativa que participei no XVII Encontro de Empresários do Concelho de
Mértola que teve lugar no passado sábado, dia 18, durante todo o dia, e a avaliação geral que
faço da iniciativa é bastante positiva.
A começar pela adesão conseguida por parte de empresários actuais e potenciais, quer em
número quer em participação efectiva nas reflexões e debates dos painéis da parte da tarde, o
que, ao contrário do que muitas vezes tenho ouvido, comprova que existe por parte das
pessoas interesse e vontade de participarem, assim lhes sejam dadas oportunidades para o
fazerem.
Em termos organizativos também correu bastante bem, embora as intervenções do período da
manhã, todas elas de interesse, se tivessem alongado demasiado, o que levou a que
praticamente não houvesse debate em torno das mesmas. O almoço foi excelente e, sendo
volante, permitiu e favoreceu o convívio entre participantes.
A opção pela divisão dos temas e participantes por 4 salas possibilitou que a reflexão e o
debate de cada um tivesse mais tempo e profundidade, mas, por outro lado, obrigou-nos a ter
que optar apenas por um, impedindo-nos de assistir à discussão de outros que também eram
do nosso interesse.
Das apresentações feitas, quer pelos oradores convidados quer pelos representantes do
executivo municipal, poderemos concluir que apesar de ter sido apresentada uma estratégia
de desenvolvimento de médio e longo prazo, conceptualmente correcta, não tem havido uma
intervenção e projectos que por um lado estejam ajustados à realidade actual e por outro
façam face às necessidades e aspirações concretas e imediatas da população.
Os principais indicadores de desenvolvimento apresentados, praticamente todos negativos,
evidenciam bem este desfasamento e o agravamento contínuo da situação do concelho em
quase todas as áreas.
Foram particularmente elucidativas dos problemas da governação as conclusões apresentadas
pelo grupo que se debruçou sobre a conectividade, a informação/comunicação e a
participação.
A falta de iniciativas socio culturais que motivem e envolvam a população (em vez de uma
agenda intensa de eventos pouco mobilizadores e desconectados da realidade local), a
deficiente informação e comunicação (substituída exclusivamente pela propaganda), a
inexistência de infraestruturas de comunicação e de transportes foram as principais críticas
apontadas.
Na mesa em que participei, Indústria, Construção civil e Energia, as principais conclusões
apontaram para: 1) necessidade de concretização urgente da nova zona empresarial, projecto
já com mais de uma década, evitando perder tempo com e o estudo de eventuais novas
localizações; 2) resolução urgente do problema dos resíduos de construção e demolição; 3)
desenvolvimento o mais rápido possível, pela autarquia, das propostas já apresentadas de
criação das comunidades de energia renovável do Centro Histórico e da Mina de S. Domingos
Para finalizar referir que é pena que a par do retomar pela CMM dos Encontros de Empresários
não tenham sido reactivados os Prémios Municipais Empresas, criados há mais de uma década
e inexplicavelmente esquecidos.
Jorge Pulido Valente
Crónica Cidadania Activa 12
Transição digital e politicas públicas regionais
iniciativa e projecto de importância fundamental para a
transição digital neste território de
interior, sempre tão esquecido pelo poder central no
processo de inovação e
desenvolvimento.
Na verdade, tomando como exemplo o caso de Mértola para
ilustrar o que se passa em toda a
nossa região alentejana, verifica-se a inexistência na
grande maioria do concelho de rede de
fibra óptica, inclusive no centro histórico, na sede do
município. Daí decorre que a cobertura
de rede da internet é manifestamente insuficiente e
desadequada relativamente
àsnecessidades da população em geral e das empresas e
serviços em particular.
As operadoras, tendo em conta a pouca rentabilidade do investimento
não estão dispostas a
investir nas infraestruturas subterrâneas e a autarquia
também não se preocupa com o
assunto nem faz qualquer esforço no sentido de resolver o
problema, dificultando até, no caso
do Centro Histórico, a intervenção das empresas do sector,
ao impedir a colocação, mesmo
que temporária, de cabos aéreos.
Sem que todas as localidades tenham acesso à fibra óptica
dificilmente a transição digital se
fará sem deixar para trás as populações do vasto território
interior e remoto do nosso País.
Todos os projectos integrados no programa mais global da
Agenda Digital do Alentejo,
pressupõem a existência prévia de uma infraestrutura de
suporte ao funcionamento adequado
e nas melhores condições técnicas da rede de Internet.
Pelos motivos acima referidos foi com grande satisfação que
ouvi o Secretário de Estado das
Infraestruturas anunciar, neste evento, que iria finalmente
avançar o concurso para o
alargamento da rede de fibra óptica a todas as freguesias do
País. Esperemos que não só a
obra avance em tempo útil como também não sofra amputações a
meio do percurso, deixando
mais uma vez de fora as localidades mais periféricas e menos
povoadas, sem interesse
comercial para as operadoras.
A Agenda Digital do Alentejo, lançada agora de forma pioneira,
pela CCDRA e a ADRAL é um
projecto estruturante para o futuro do Alentejo e um
primeiro passo positivo na definição de
políticas públicas regionais consequentes a que seguirão,
segundo me garantiu a minha ex-
colega vice-presidente, Carmen Carvalheira, intervenções na
área da energia e da economia
circular, no quadro da sustentabilidade do território.
De destacar ainda, na apresentação realizada, a opção por um
verdadeiro modelo de
governação partilhada, integrada e participativa, sem o qual
este projecto estaria votado ao
fracasso, sobretudo num território remoto e despovoado como
o Alentejo.
Faço votos para que, finalmente, a CCDRA, com uma liderança
que não esteja refém dos
interesses partidários e pessoais, assuma o papel que lhe
cabe na definição e concretização
das políticas públicas regionais que tenham em consideração
as especificidades, as
necessidades e as prioridades do nosso território.
Jorge Pulido Valente
A (des)preocupação (de)com António Costa
A atitude de despreocupação e até de alguma irresponsabilidade que o primeiro ministro de Portugal transmitiu na televisão à entrada para o conselho de ministros, no Algarve, quando questionado pelos jornalistas sobre a forte contestação a que o governo está a ser sujeito nasmais diversas frentes e sectores, deixou-me, a mim, muito preocupado!
Admira-me, choca-me até que o máximo governante do nosso País, perante a muito difícil situação que estamos a viver, em vez de manifestar a sua preocupação e a vontade de tomar medidas para resolver os graves problemas que estão a afectar os portugueses, desde a saúde, educação passando pela justiça, a habitação, os transportes, a subida contínua e galopante do custo de vida, adopte um discurso aligeirado e bem disposto de desvalorização da crise e daagitação dela resultante.
Talvez animado com o facto dos portugueses, apesar de descontentes com o governo e a sua (des)governação, preferirem que ele cumpra a legislatura até ao fim, o primeiro ministro continua focado na gestão dos fundos comunitários do PRR e preocupado com a comunicação e propaganda dos milhões de euros da “bazuca”, esperando que com o passar do tempo, a contestação abrande ou se esvazie, mesmo sem que as reformas estruturais tão urgentes avancem.
Parece que, agora, a preocupação principal de António Costa já é quase só manter-se no poder até surgir a oportunidade para outros voos!?
Preocupo-me (e, pelos vistos, já também a alguns membros do PS), por isso, com estes sinais de afastamento de António Costa da realidade que estamos a viver e com a incapacidade política e de governação que os mesmos revelam. Aos casos que puseram a nú erros graves no recrutamento de governantes e a descoordenação interna, sucedem-se agora medidas de política mal preparadas e desenhadas, sem rigor e sem reflexão e debate prévios aprofundados no seio das equipas ministeriais.
Depois de ter desistido da esquerda radical após a ter destrunfado e reduzido aos mínimos, António Costa está, agora, a contribuir, com o alimentar do descontentamento e consequente perda de confiança do seu eleitorado de maioria absoluta, para o crescimento exponencial da extrema direita, nomeadamente de quem melhor sabe capitalizar a critica ao sistema político e aos políticos, o Chega.
Finalmente, preocupa-me que o primeiro ministro e secretário geral do PS se tenha apenas rodeado de “yesman”e “yeswomen” e, por esse motivo, não haja ninguém no partido com coragem de o confrontar com os erros e omissões desta governação, a qual tinha todas as condições políticas e económicas para ser um sucesso e trazer um melhor futuro a todos!
Jorge Pulido Valente
03/02/23
Habitação: oportunidades e dificuldades
Há muito tempo que a habitação é um problema nacional e local que se foi agravando durante décadas por falta de uma estratégia de médio e longo prazo, mas só agora o governo e os municípios decidiram avançar com políticas públicas coordenadas, de curto prazo, para o resolverem.
Quando tomei
posse como presidente da Câmara Municipal de Mértola em 2001, o concelho debatia-se
com um gravíssimo problema de falta de habitação (o qual ainda fazia aumentar mais
a perda demográfica típica destes territórios do interior rural), sem casas
para arrendar ou comprar e terrenos para construir habitação própria ou
municipal.
Em dois
mandatos, através de uma política pública coordenada, coerente, convergente e
de continuidade, resolvemos o problema: fizemos loteamentos em terrenos
camarários para autoconstrução e para habitação cooperativa, incentivámos os
loteamentos particulares, adquirimos imóveis no centro histórico para
reabilitação e posterior habitação social e arrendamento apoiado, dinamizámos o
mercado social de habitação, criámos subvenções para obras particulares,
incentivos e isenções fiscais e apoios habitacionais para carenciados.
As maiores
dificuldades foram o financiamento e, sobretudo, os constrangimentos legais e burocráticos,
bem como a escassez de resposta das empresas de construção civil.
Lamentavelmente,
ao longo dos últimos 12 anos a continuidade desta política pública local foi interrompida
e, em consequência, o problema da falta de habitação para arrendar ou comprar foi-se
agravando e, hoje, é um dos maiores obstáculos à captação e fixação de população,
sobretudo da população mais jovem.
O pacote de
medidas que o governo aprovou agora para esta área e a elaboração das estratégias
locais de habitação pelos municípios criam oportunidades importantes para a solução
do problema, mas, infelizmente, não resolvem as dificuldades principais acima referidas
e, potencialmente, criam outras, dado que se pretende num prazo muito curto, 5 anos,
resolver mais de 2 décadas de inação e de avolumar de carências.
Para
dificultar mais a execução destas políticas, temos um cenário de aumento da
necessidadee da consequente procura de habitação, até pelo crescimento
económico e vinda de imigrantes, em contraste com a escassez de mão de obra e
de materiais, em simultâneo com a elevação brutal dos custos dos mesmos e das
taxas de juro.
Quanto às
casas devolutas, o governo devia primeiro analisar os motivos pelos quais elas
estão nesta situação, começando por aquelas, e são muitíssimas, que são
património do estado.
Facilmente
concluiria que é preciso fazer por um lado um pesado e demorado trabalho prévio
de reabilitação e por outro uma reforma da legislação e da administração
pública, de modo a criar instrumentos efectivos, eficazes e céleres de
intervenção.
Nesta como noutras áreas, por falta de estratégias e políticas públicas em tempo útil e com continuidade, vamos continuar a correr atrás do prejuízo!
Jorgr Pulido Valente
25/02/23
Aproveitar o potencial de
informação, conhecimento e experiência
Num país como Portugal, em grave
recessão demográfica e preocupante envelhecimento populacional, seria útil,
importante e inteligente ter políticas públicas nacionais, regionais e locais
que promovessem o aproveitamento do enorme potencial de informação, conhecimento
e experiência dos mais velhos, estando eles no activo ou já aposentados, mas ainda
com vontade e capacidade para participarem nos processos e projectos de
cidadania e desenvolvimento.
No entanto, o que um recente
estudo promovido pela Animar veio revelar e evidenciar foi a inexistência
dessas políticas públicas e de estratégias, quer a nível nacional quer regional
e local, para o envelhecimento activo, interrompendo-se assim, entre outras
coisas, a passagem intergerações de saberes fundamentais. Na administração
pública nacional, regional e local, esta situação é tão ou mais preocupante por
se ter deixado de “fazer escola”, quando organismos com um saber acumulado
enorme perdem, por reforma ou “emprateleiramento” político, os seus quadros
mais relevantes, conceituados e reconhecidos.
Do Estudo de Avaliação
Multidimensional do Envelhecimento Ativo e Saudável realizado por Raul Jorge
Marques, que tem a Coordenação Científica do Grupo de Trabalho Envelhecimento e
Desenvolvimento Local da ANIMAR, permito-me transcrever algumas passagens e
questões elucidativas do problema e da situação.
“Considera-se que não há
desenvolvimento local sem olhar atentamente para as alterações demográficas em
curso e que não o compreender é não acompanhar uma mudança que irá ter cada vez
mais influência no planeamento à escala local e na afetação de recursos humanos
qualificados, em que as pessoas mais velhas, independentemente de estarem ou
não aposentadas, têm de ser forçosamente encaradas como ativos qualificados e
recrutáveis!” “a «articulação envelhecimento – desenvolvimento local» deve
estar suportada na participação efetiva das pessoas mais velhas nas estratégias
e nos projetos que lhes dizem diretamente respeito. Contudo, como bem refere
Papaléo Netto (2006, p. 4)5 , a manutenção da vida saudável de uma pessoa mais
velha, apesar de ser um dever da sociedade, não é politicamente encarada como
um investimento de futuro, a que acresce o facto de se estar perante “um grupo
etário politicamente ainda muito frágil” por ter saído do mercado de trabalho e
ter perdido capacidade reivindicativa, o que dificulta, não a sua afirmação que
já existe por via do peso na demografia, mas a capacidade de intervir nas
políticas que lhes são destinadas. Durante quanto anos mais vai ser assim, com
pessoas cada vez mais qualificadas e exigentes?”
• QUE INICIATIVAS DE
DESENVOLVIMENTO LOCAL SE PODEM REALIZAR PARA ACOMODAR O
ENVELHECIMENTO SOCIAL E PROMOVER O ENVELHECIMENTO ATIVO/ COLABORATIVO?
• DE QUE FORMA O ENVELHECIMENTO ATIVO/COLABORATIVO PODE CONTRIBUIR PARA O DESENVOLVIMENTO DOS TERRITÓRIOS?
• QUE MODELO UTILIZAR NA CONSTRUÇÃO DE UM PLANO GERONTOLÓGICO LOCAL PARTICIPADO?
O referido estudo apresenta ainda
a proposta de elaboração de uma Estratégia e de uma Política Gerontológica
Nacional e as seguintes sugestões para Planos Gerontológicos Locais
▶ Criar atividades para redução do stress diário, do
pessimismo em relação ao futuro e da
irritabilidade, em que as pessoas
sintam prazer, partindo de um diagnóstico prévio.
▶ Criar atividades para que as
pessoas mais velhas se sintam socialmente mais úteis,
partindo
de um diagnóstico prévio.
▶ Criar atividades para melhorar a
concentração e a tomada de decisão.
▶ Criar estratégias que reduzam o sentimento de isolamento e de inutilidade,
melhorando o
convívio comunitário e a
participação na vida da comunidade.
▶ Criar estratégias de combate à iliteracia
em saúde nos domínios
da nutrição geriátrica,
da
suplementação, da hidratação
adequada e da higiene de sono.
▶ Criar estratégias formativas nos domínios
da sexualidade nas pessoas mais velhas.
▶ Criar estratégias de sensibilização para a
prática da atividade física, que partam de um
levantamento das preferências dos
cidadãos e cidadãs.
▶ Incentivar o envelhecimento nas
habitações, criando localmente um «serviço 24 horas/dia de cuidadores/as
certificados/ as» e um «serviço de ouvidores/as» dedicados/as a conversarem com
as pessoas mais velhas. Sugestões para uma Política Gerontológica Nacional
A estas propostas eu acrescentaria outra: criar uma bolsa local de idosos e aposentados, disponíveis para a participação activa nos projectos de desenvolvimento e participação cidadã.
Jorge Pulido Valente
16/02/2023
“O Governo limita-se a gerir,
comunicar e a controlar danos, não lançando nem executando reformas de fundo.
Os partidos da oposição não arriscam a apresentação de alternativas e limitam-se
a um registo de combate” (Jorge Moreira da Silva)
Apesar da subida da inflacção, da
guerra e da crise energética, Portugal encontra-se numasituação favorável em
termos de crescimento económico, recebimento de recursos financeirosexternos
(PRR, Portugal 2030), investimento privado e emprego.
Com este cenário positivo e
animador, seria de esperar que as pessoas se sentissem satisfeitas e que a
agitação social fosse reduzida, mas, ao invés, há um enorme e transversal
mal-estar e descontentamento e uma forte e generalizada contestação popular.
Com efeito, todos os principais
sectores da sociedade, da educação à saúde, passando pela justiça, pelos
transportes, pela cultura e pela administração pública, estão em “guerra
aberta” com o governo e a opinião pública mudou radicalmente para desfavorável
relativamente à maioria absoluta do Partido Socialista. As pessoas perderam a
confiança em António Costa e no governo, mas também não acreditam nas
oposições.
Poderá haver a tendência ou a
tentação para atribuir tal facto à perda do poder de compra, em resultado do
aumento dos salários não ser suficiente para acompanhar a subida de preços, conjugada
com a perda de confiança no primeiro ministro, devido aos sucessivos e intermináveis
casos de nomeações falhadas e demissões de membros do governo e à descoordenação
da equipa ministerial.
Em minha opinião, o problema é,
infelizmente muito mais grave, porque António Costa está totalmente refém e
absorvido pelas urgências da gestão e aplicação imediata e atempada dos avultados
fundos europeus disponíveis e também pela resolução dos problemas internos de funcionamento
da sua equipa. Perdeu, por isso, a disponibilidade e a visão estratégica de médio
e longo prazo, indispensáveis à governação do País, para a resolução dos
problemas estruturais, através da execução das reformas inadiáveis em todos os
sectores e do lançamento das urgentes políticas publicas integradas,
coordenadas e convergentes, actualmente inexistentes em áreas tão prementes
como a imigração, a demografia, a coesão territorial, a pobreza, a transição
energética, a sustentabilidade, a participação e cidadania, os serviços de
interesse geral e a administração pública.
São muitos os sinais diários e os
sintomas de que os problemas estruturais se estão a agravar por omissão da
governação e que o primeiro ministro se ocupa sobretudo em gerir a distribuição
dos dinheiros comunitários e a imagem e a popularidade nos órgãos de comunicação
social.
Lamentavelmente, também o
presidente da república segue o mesmo caminho, falando publicamente demais
sobre tudo e mais alguma coisa e não resolvendo ou ajudando a resolver os
problemas.
Jorge Pulido Valente
09/02/23
11,750 milhões de euros!?
Este foi o valor do orçamento
municipal que sobrou à Câmara de Mértola no final do primeiro ano de mandato de
Mário Tomé como presidente, ou seja, mais 1.750.000 euros que acrescentam aos 10
milhões que já tinham ficado por gastar/investir no último ano do consulado de
Jorge Rosa. Isto já não contabilizando a receita dos fundos comunitários das
candidaturas (Escola 1º Ciclo, Centro de Actividades Ocupacionais para
Deficientes, entre outras) que a autarquia perdeu por não ter iniciado as obras
no prazo obrigatório.
Num orçamento em que anualmente
as receitas previstas rondam os 25 milhões de euros, chegar ao fim do exercício
com um saldo acumulado de 11,750 milhões é um grave e preocupante sinal da
incapacidade deste executivo para investir e realizar as obras, as acções e as
intervenções de que o concelho de Mértola tanto e tão urgentemente necessita.
Os principais factores que levam
a esta situação de mau aproveitamento dos recursos financeiros de que a
autarquia actualmente dispõe são a falta de visão, de estratégia, de
planeamento, de organização e de colaboradores devidamente preparados e bem
geridos.
Estas carências e deficiências
traduzem-se, por sua vez, na incapacidade para concretizar as centenas de
acções previstas/prometidas recorrentemente nas grandes opções do plano e
orçamento e, consequentemente, executar as despesas a elas inerentes, resultando,
no final, na taxa de execução mais baixa de sempre, desde que temos Poder Local
democrático.
Perante esta abundância de
dinheiro que sobra anualmente do orçamento do município, custa a entender e a
aceitar que continuem por ser concretizadas aspirações há muito ansiadas e
promessas sempre adidas e que, ao invés, se assista a um retrocesso no papel
determinante que a câmara tem que ter na resolução dos problemas das pessoas e
do concelho.
A título de exemplo refiro apenas
algumas as principais, em que os indicadores pioraram em vez de melhorarem:
1-Habitação: falta de habitação e
de terrenos, degradação do património habitacional da autarquia, rendas
elevadas
2-Acessibilidades: degradação
total das estradas Fernandes/Pomarão, Mértola/Serpa e Mértola/Almodôvar
3-Saúde: perda de médicos, inexistência
de suficientes médicos de família, carência de serviços de saúde e de
assistência de urgência
4-Transportes: insuficiência de
transportes dentro do concelho e de ligação aos municípios vizinhos, Lisboa e
Algarve
5-Centro Histórico, Mina e
Pomarão: degradação dos imóveis, inexistência de apoios, despovoamento, redes
de arruamentos, água, esgotos, energia e comunicações degradadas ou sem
resposta adequada
6-Comunicações: rede de fibra
óptica muito insuficiente em todo o concelho
7-Património: degradação
acentuada do Centro Histórico, da muralha e da frente ribeirinha, estagnação da
candidatura a património da humanidade
8-Coesão socioeconómica:
diminuição do poder de compra, da qualidade de vida e aumento do risco e das
situações de pobreza, agravamento da pobreza energética
9-Participação e cidadania: extinção
do orçamento participativo e não execução das propostas aprovadas em 2019,
discriminação de colectividades, não apresentação pública de projectos
10-Juventude: não realização de
viagem de jovens, encerramento do Espaço Jovem de Mértola, inactividade do
Conselho Municipal da Juventude
11-População: perda e
envelhecimento acentuado da população e emigração significativa de jovens
Finalmente, também não se
compreende, face ao facto de sobrar anualmente tanto dinheiro, porque razão a
Câmara fica com uma percentagem tão elevada do IRS que pagamos, ao estipular
que apenas devolve 3,5% aos munícipes quando podia ser 5%, já que para a
autarquia 178 mil euros em 37 milhões não tem expressão e para os contribuintes
pode ter significado.
Jorge Pulido Valente
2023 Prova Nacional Velocidade
Última prova no local foi em 2014
A Praia fluvial
da Tapada Grande na Mina de São Domingos em Mértola recebe
a 26 de fevereiro a primeira de três provas do Campeonato Nacional de
Esperanças 2023, depois de quase uma década desde a última competição nacional
naquele local.
Opinião
Isso é que era de valor…
Sempre se falou sobre pensamentos
e sistemas políticos, os quais regulavam e geriam os povos sobre os quais
dominavam sobre diversas formas. Sistemas monárquicos unipessoais que
governavam a seu belo prazer, normalmente rodeados por um grupo de “nobre
guerreiros” que se reuniam em corte. Este sistema foi progressivamente mudando
conforme os vários movimentos sociais até que os monarcas passaram a ter
poderes muito limitados, como agora acontece.
É verdade que a nova “classe burguesa”, do burgo/cidade, foi
aproveitar múltiplos movimentos populares, ocupando os lugares de governação
até aos nossos dias, muito embora as tipologias ou práticas governativas tenham
mudado muito desde o século XIX, por pressão popular e abertura de algumas
perspectivas de crescimento, nomeadamente através da obrigatoriedade escolar e
abertura do ensino superior.
Até hoje há uma classe, ou melhor um grupo social, que domina a
nossa sociedade e criou um regime já velho de antigo, chamado de democracia
(poder do povo), que os gregos inventaram no século V a.C. Com enormes
diferenças até aos nossos dias, mas numa tentativa de dar a todos os cidadãos
os mesmo direitos e deveres.
A Europa e grande parte do mundo vive numa democracia, afinal,
quer queiramos quer não, o mais moderno, inteligente e melhor sistema político.
A democracia tem qualidades e defeitos, como qualquer sistema, mas creio que
muita gente não reflectiu sobre todas as possibilidades que este sistema
proporciona. Lá vai o tempo em que era suficiente ter liberdade de opinião,
imprensa livre, assim como a sua profissão e religião que cada um entendesse, e
muitas mais liberdades.
A democracia é, deve ser, um sistema político dinâmico e ser
sucessivamente analisado e reflectido sobre os caminhos que leva e, nesse
sentido, quando o movimento Beja Merece + se deslocou a Bruxelas ficou
surpreendido e bem surpreendido quando nos foi transmitido que nós
representávamos as linhas mestras da nova democracia. A movimentação de
cidadãos livres, lutando pelos seus direitos, mesmo contra os poderes
instituídos, dominados pela partidarização das politicas nacionais.
Sentimo-nos correntemente amarrados por uma teia de aranhas de
vozes mansas que moldam as nossas vidas, nos obrigam a comer o que eles querem,
ler o que escrevem, ir pelos caminhos que desenharam e por fim … pedem-nos que
votemos, “os píncaros” da democracia, onde só os partidos têm lugar. Algo vai
mal com esta democracia.
Hoje quase temos medo ou receio de falar, porque o primo ou a
tia são funcionários de qualquer câmara, escriturária de uma empresa, porque
pretendemos ser secretários de estado, etc, etc. Torna-se necessário alterar
este mau estado de coisas, é preciso falar, discutir, expor a verdade,
inteligência e razão ao serviço das pessoas. Na democracia, naquela democracia
que deveria ser dos nossos dias é preciso que os políticos saibam ouvir,
discutir e pôr em acção medidas que promovam o sorriso e bem-estar das pessoas,
do seu povo.
Infelizmente os políticos, muitos deles, nas cidades e vilas do
nosso país, acabam por fazer exactamente o contrário daquilo que deve ser
feito. Alguns deles, se calhar uma grande maioria, já nem ouve os seus
cidadãos, passam pelas ruas de cabeça no ar sem olhar ao redor, não respondem
às cartas e @mails, pedem-se reuniões e descartam as pessoas. O contrário
daquilo que é desejado pelo povo, numa altura que a consciência política é cada
vez maior e a análise crítica mais acutilante e cuidada.
Acho que estes novos democratas de “aldeia” não sabem o que é
democracia. Um político que não sabe ouvir e ler o que lhe chega sinceramente
não é um democrata, é um novo rei medieval mal disfarçado.
O povo acomodou-se e os políticos aproveitaram, mas precisam de
mudar e... nós também!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
Florival
Baiôa, professor
30 de janeiro 2023 - 13:00
In Diário do Alentejo