A "estabilidade política e as condições de governabilidade" são "essenciais" e "é esse o objectivo que perseguimos" admitiu o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, afirmando, preto no branco: "Estou a pedir a maioria absoluta". José Sócrates falava aos jornalistas José Gomes Ferreira (SIC) e Ricardo Costa (Expresso) ao cabo de quase uma hora de tensa entrevista centrada, sobretudo, nas respostas do Governo à crise económica mundial.
O chefe do Governo anunciou que, durante a apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento, durante a próxima semana, o Executivo irá rever as previsões de desemprego e crescimento económico. Recusou-se, ainda assim, a alinhar desde já pelas previsões do Banco de Portugal segundo as quais estamos à beira da recessão, admitindo, ainda assim, que "tudo aponta" para que esse cenário se confirme.
Na conversa que durou cerca de uma hora, Sócrates defendeu a estratégia do Governo para enfrentar a crise, sublinhando a dimensão "moral" do investimento público: "é absolutamente indispensável ao emprego", afirmou. "Se antes fazia sentido, agora faz ainda mais sentido: a economia precisa cada vez mais de investimento público. Seria moralmente muito negativo não o fazer". O essencial da entrevista girou, com efeito, à volta da economia e das respostas do Executivo para fazer face à crise, com o primeiro-ministro a resumir a quatro as principais orientações da sua política:estabilizar o sistema financeiro; apoiar as empresas; reforçar o investimento público e apoiar as famílias. Para trás ficava o tema dos primeiros dez minutos da entrevista: o conflito institucional com o Presidente da República a propósito do Estatuto Político-Administrativo dos Açores.Uma questão desvalorizada pelo primeiro-ministro, que a 'reduziu' a uma diferença de interpretação da Constituição - que, no seu entender, poderia ter sido facilmente resolvida com a intervenção do Tribunal Constitucional. Sócrates recordou, aliás, anteriores divergências com Cavaco Silva (a propósito do aborto, da paridade ou do divórcio) para garantir aos portugueses que tanto ele como o Presidente têm bem "consciência da importância de um bom entendimento institucional". A avaliação dos professores, tema obrigatório, acabou por ser abordada já na recta final da conversa, como primeiro-ministro a aproveitar a deixa para colocar o acento tónico no facto de, pela primeira vez em 30 anos, os professores irem ser avaliados. Manuel Alegre e a possibilidade de surgimento de um novo partido à esquerda foi questão deixada para o fim, com Sócrates a refugiar-se no seu papel como secretário-geral do PS - a que é de novo candidato no Congresso de final de Fevereiro - para garantir que tudo fará para "promover a unidade do partido nessa diversidade que enriquece o PS". O 'tudo' inclui, segundo disse, convidar Manuel Alegre de novo para integrar as listas de candidatos socialistas, "se ele quiser". Mesmo a terminar, e em resposta a um cenário colocado pelos jornalistas, Sócrates manifestou-se disponível para que as legislativas possam ocorrer no mesmo dia do que as europeias (em Junho): "Já aconteceu", lembrou. Irredutível só mesmo na possibilidade de fazer coincidir legislativas com autárquicas: "São dinâmicas distintas. Acho um erro".
In Expresso
Cristina Figueiredo
22:32 Segunda-feira, 5 de Jan de 2009














